Protestos no Egito

Vice egípcio diz que diálogo só começa com fim dos protestos

Cairo/GettyImages

Manifestantes pró-Mubarak invadiram a praça com cavalos

O novo vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse nesta quarta-feira que só iniciará negociações com a oposição quando os protestos conta o governo terminarem.

"(Para o) diálogo com as forças políticas da oposição é necessário que as demonstrações acabam e as ruas egípcias voltem ao normal", disse ele em pronunciamento à TV estatal do país.

Suleiman, que ocupava o posto de chefe da segurança, foi nomeado vice-presidente na semana passada, no que analistas dizem ter sido uma medida adotada pelo governo de Hosni Mubarak para apaziguar os ânimos dos opositores.

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O vice-presidente pediu para que os manifestantes "voltem para suas casas e obedeçam ao toque de recolher".

"Os participantes nas manifestações já transmitiram suas mensagens, tanto pedindo reformas como os que apoiam o presidente Hosni Mubarak."

Violência

Contrastando com o clima festivo dos grandes protestos ocorridos na praça Tahir, no centro do Cairo, na terça-feira, as manifestações da quarta-feira foram marcadas por cenas de violência entre manifestantes pró e contra Mubarak.

A violência perdurou por horas e avançou pela noite. Um correspondente da BBC no local disse que os confrontos ainda ocorriam às 23 horas (horário local, 19h de Brasília) e o som de tiros aumentou com a noite.

O ministério da Saúde egípcio, segundo a TV Al-Arabya, afirmou que três pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas.

Foto: AP

Confrontos dominaram as ruas do centro da capital egípcia

A ONU afirma que desde o início dos protestos, na semana passada, mais de 300 pessoas morreram.

Pedras

Cerca de 2 mil manifestantes anti-Mubarak passaram a noite na praça Tahir, muitos deles dizendo que as declarações feitas pelo presidente na terça-feira de que não tentará a reeleição, mas seguirá no poder até setembro, seriam insuficientes. Eles pediam a saída imediata do presidente.

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Segundo testemunhas, grupos de manifestantes pró-Mubarak desmontaram barricadas que estavam no local. Houve então discussões e confrontos físicos, e a tensão no local aumentou muito.

Alguns manifestantes pró-Mubarak entraram na praça montados em cavalos e camelos, até serem derrubados e espancados por opositores.

Segundo correspondentes da BBC, pessoas quebravam o concreto das ruas para atirar pedaços contra adversários. O Exército não interferiu nos confrontos.

Os conflitos, que também ocorreram em outros locais do centro da capital egípcia, envolveram centenas de pessoas. Os grupos rivais jogavam pedras, tijolos e pedaços de pau uns nos outros.

Em um bairro próximo à praça, o comércio fechou as portas, com medo de gangues e de confrontos entre simpatizantes e opositores ao governo, e as pessoas começaram a montar barreiras nas ruas.

Os distúrbios já chegaram à cidade de Alexandria, onde apoiadores de Mubarak também saíram às ruas, relata o correspondente da BBC Wyre Davies.

Ao mesmo tempo, um porta-voz do governo reagiu às manifestações, dizendo que o Egito rejeita os apelos internacionais por uma transferência imediata de poder.

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