Jornalista brasileiro é agredido e roubado no Egito

Ativistas pró-Mubarak no Cairo Direito de imagem AP
Image caption Jornalistas contam ter sido agredidos por ativistas pró-Mubarak

O jornalista brasileiro Luiz Antônio Araujo, enviado especial do diário Zero Hora e da rede RBS ao Egito, contou ter sido atacado e roubado por um grupo de 50 simpatizantes do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Araujo disse à BBC Brasilque foi cercado por um grupo de pessoas munidas de pedras e facas, que roubaram sua câmera digital e sua carteira.

De acordo com o jornalista, o ataque se deu nesta quinta-feira pela manhã, quando ele estava em vias de entrar na praça Tahrir, no Cairo - local que desde quarta-feira vem sendo palco de violentos confrontos entre manifestantes contra e a favor do governo egípcio.

''Era um grupo de cerca de 50 pessoas com facas e pedras. Eles levaram minha câmera digital e minha carteira. Tenho certeza que (os agressores) eram simpatizantes de Mubarak, porque o ataque aconteceu em uma área controlada por eles.''

Araujo contou que o roubo se deu sob o olhar de soldados do Exército egípcio, que estão acampados na praça desde quarta-feira, mas que os militares não esboçaram qualquer reação.

Censura e intimidação

Além de Araujo, vários outros jornalistas estrangeiros foram agredidos ou detidos nos arredores da praça Tahrir desde quarta-feira, dia dos confrontos mais violentos até agora desde o início da onde de protestos protestos no Egito, há dez dias.

O enviado especial da BBC ao Egito Rupert Wingfield-Hayes contou que na quarta-feira foi preso pela polícia secreta egípcia, algemado e vendado. Os policiais prenderam-no por três horas, interrogaram-no e depois o soltaram.

A emissora Reuters Television relatou que integrantes de sua equipe foram agredidos nesta quinta-feira, perto da Praça Tahrir, enquanto registravam imagens para uma reportagem sobre bancos e lojas que foram obrigadas a fechar durante os confrontos entre as duas facções.

De acordo com a Reuters, os ataques ocorreram na rua Talaat, que leva à praça central. Eles teriam sido agredido ameaçados e xingados. Sua câmera, microfone e tripé foram destruídos. Mas a equipe não sofreu ferimentos.

Na quarta-feira, a veterana jornalista Christiane Amanpour, da rede ABC News, contou ter sido cercada por militantes quando tentava entrevistar um ativista pró-Mubarak, e eles teriam gritado: ''vá para o inferno'' e ''nós odiamos os Estados Unidos''.

O repórter da rede CNN, Anderson Cooper, disse que, ao entrar na praça, ele, um produtor e um cinegrafista foram cercados por uma multidão, que começou a socá-los e a tentar e tomar suas câmeras.

A rede de TV americana CBS informoui que integrantes de sua equipe foram forçados a abandonar a praça Tahrir não sem antes entregar suas câmeras sob a mira de armas por supostos militantes pró-governo.

De acordo com a entidade não-governamental Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova York, essas agressões estariam diretamente ligadas à tentativas do governo egípcio de intimidar ou censurar jornalistas.

''O governo egípcio está empregando uma estratégia de eliminar testemunhas de suas ações'', afirmou à agência de notícias Reuters o coordenador de Oriente Médio e África da organização, Mohamed Abdel Dayem.

Segundo Dayem, as ações constituem ''ataques deliberados contra jornalistas realizados por hordas pró-governo''.

Nesta quinta-feira, os líderes da Grã-Bretanha, Alemanha, França, Espanha e Itália divulgaram um comunicado conjunto no qual classificaram os ataques contra jornalistas como ''totalmente inaceitáveis''.

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