Libertação de ativista e executivo do Google inspira novos protestos no Egito

Wael Ghonim Direito de imagem Getty
Image caption Wael Ghonim ficou quase duas semanas preso e foi solto na segunda

Dezenas de milhares de manifestantes na praça Tahir demonstraram apoio nesta terça-feira ao executivo da Google e ativista egípcio Wael Ghonim, considerado um dos responsáveis pelos protestos contra o governo, que esteve preso por 12 dias.

Ghonim é autor de uma página no site de relacionamentos Facebook considerada fundamental para as mobilizações populares. Ele foi detido pelo governo no dia 27 de janeiro e solto na última segunda-feira.

O ativista compareceu ao protesto nesta terça-feira, afirmando à multidão que "não sou herói, vocês são os que permaneceram nesta praça".

"Vocês precisam exigir que suas exigências sejam cumpridas. Queremos que o regime caia."

Após comparecer aos protestos na praça Tahir, ele disse à imprensa que "estive vendado por 12 dias e não pude ouvir nada, não sabia o que estava acontecendo".

"Quando criei a página do Facebook, eu era um sonhador. Acredito que todos nós somos sonhadores."

Fôlego

De acordo com comentaristas políticos no Egito, a libertação de Ghonim deve criar um novo fôlego nos movimentos pró-democracia no país.

Outros grupos de jovens ativistas já começaram a se mobilizar para não deixar que os protestos no Cairo e em outras cidades egípcias percam força.

"A entrevista de Wael Ghonim com certeza nos deu mais motivação para continuarmos e aumentarmos os protestos. Mas nós também estamos mobilizando as pessoas de outras formas", disse o advogado Ahmed G.

No entanto, Ahmed contou que ficou surpreso quando na última segunda-feira teve sua linha suspensa e que recebeu algumas chamadas de desconhecidos com ameaças.

"Do outro lado da linha, eles falavam para que eu parasse tudo o que eu estava fazendo imediatamente", disse ele.

"Mas não vou parar, não vou me intimidar com essas ameaças", enfatizou Ahmed.

Acomodação

A diretora de teatro e ativista Leila Hassan também iniciou uma campanha para remobilizar seus amigos e outros jovens.

"Mas ao invés de só irmos à praça Tahrir, eu estou pedindo que pessoas se dirijam a outras praças na cidade, locais públicos para fazermos um acampamento", falou ela.

O professor Mohamed B. criou uma nova página no Facebook conclamando as pessoas a não se acomodarem e exigir a saída de Mubarak do poder mesmo com as concessões feitas pelo governo até agora.

"Vamos lutar por nossos direitos e com certeza vamos voltar ainda mais fortes do que nos primeiros protestos."

Correspondentes no Cairo afirmam que os protestos desta terça-feira atraíram o maior número de manifestantes desde o início da crise.

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