Líder checheno assume autoria de ataque em aeroporto de Moscou

Doku Umarov em vídeo (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Umarov disse que os rebeldes podem fazer ataques quando e onde quiserem

Um dos homens mais procurados da Rússia, o líder rebelde checheno Doku Umarov, assumiu a responsabilidade pelo ataque a bomba no aeroporto de Moscou que matou 36 pessoas.

Em um vídeo publicado na internet, Umarov disse que o ataque foi uma resposta aos "crimes russos no Cáucaso". O vídeo, postado no site Kavkaz Tsentr, traz a data de 24 de janeiro, dia do ataque.

Além dos 36 mortos, o ataque suicida na área de desembarques internacionais do aeroporto de Moscou deixou outras 180 pessoas feridas.

"Esta operação especial foi realizada sob minhas ordens e, se Deus quiser, operações especiais como esta vão continuar", disse Umarov no vídeo. Ele aparece sozinho, usando roupas de combate.

Em outro vídeo, postado na internet na sexta-feira passada, o líder ameaça russos com um ano de "sangue e lágrimas", porém sem fazer referência explícita ao ataque contra o aeroporto.

Umarov é líder do grupo extremista Emirado do Cáucaso, que atua no Norte do Cáucaso, região no sul da Rússia que faz fronteira com a Geórgia. Ele foi ministro da Segurança do governo separatista da Chechênia entre 1996 e 1999 e é um dos poucos líderes chechenos importantes ainda na ativa.

Umarov já tinha assumido a responsabilidade pelo ataque suicida de março de 2010 no metrô de Moscou, no qual 39 pessoas morreram. Ele também teria ordenado o ataque contra um trem que ia de Moscou para São Petersburgo, em novembro de 2009, que matou 26 pessoas.

'Regime racista'

Umarov afirma no vídeo que muçulmanos estão sob ataque em todo o mundo, cita a situação no Sudão e condena os "regimes sionistas e cristãos liderados por Israel e pelos Estados Unidos".

Umarov diz ainda que ele e seus combatentes estão promovendo "uma jihad (guerra santa) no Cáucaso para estabelecer a palavra de Alá" e que há "centenas de outros irmãos" prontos para se sacrificar, na luta contra o "regime racista" da Rússia.

Prometendo "operações mais profundas, regulares e agressivas", o líder rebelde disse não queria que tanto sangue fosse derramado para que a Rússia "deixasse o Cáucaso".

Investigadores na Rússia informaram que o homem que se explodiu no aeroporto Domodedovo tinha 20 anos e vinha do Norte do Cáucaso.

O seu nome não foi divulgado oficialmente. Mas a agência de notícias Interfax diz que fontes do governo informaram que o autor do ataque se chamava Magomed Yevloyev, morador de um vilarejo da Inguchétia, que fica no no Norte do Cáucaso.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, demitiu várias autoridades depois do ataque, entre eles um chefe regional de transportes e um vice-chefe da polícia de Moscou.

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