Acusação sexual é ato de subversão de promotores, diz Berlusconi

Sivlio Berlusconi Direito de imagem AP
Image caption Premiê acusa promotres de terem motivação política

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse que os procuradores que querem ele seja julgado por acusações de abuso de poder e por ter mantido relações sexuais com uma menor de idade estão agindo de forma subversiva e ''repugnante''.

''Estas ações estão violando a lei, elas vão contra o Parlamento, porque os promotores de Milão não têm jurisdição; a vítima não existe e não sofreu qualquer ameaça'', afirmou Berlusconi. O premiê acrescentou ainda que ''todas estas coisas têm um objetivo subversivo''.

O procurador-chefe do Tribunal de Justiça de Milão, Edmondo Bruni Liberati, entregou nesta quarta-feira o pedido oficial do julgamento imediato de Berlusconi.

A juíza Cristina Di Censo vai ter cinco dias de prazo, com a possibilidade de solicitar um período adicional, para estudar os autos do processo e decidir se as motivações do grupo de promotores, formado por Ilda Boccassini, Pietro Forno e Antonio Sangermano, se sustentam ou não.

Se o premiê for para o banco dos réus poderá se condenado a uma pena de até 15 anos de prisão. Ele afirma ser vítima de uma perseguição política por parte da magistratura italiana.

Escândalo

No centro das acusações está a dançarina marroquina Karem El Mahroug, conhecida como Ruby, frequentadora das festas noturnas na residência privada do premiê, em Arcore. Ela é a ''parte ofendida'' no processo.

Berlusconi teria pago Ruby para fazer sexo. Na época, ela tinha 17 anos. A dançarina, hoje com 18 anos, afirmou que recebeu um ''presente'' de 9 mil euros (cerca de R$ 20 mil) e disse que que não é prostituta e que o dinheiro não era pagamento por prestação de serviços sexuais.

Logo depois dos encontros em Arcore, Ruby foi presa por furto, em maio do ano passado.

Silvio Berlusconi - alertado por uma conhecida em comum, a brasileira Michelle Conceição, teria intercedido junto aos policiais para soltar a jovem, alegando que ela era uma sobrinha do presidente egípcio Hosni Mubarak.

Para não perder tempo, o grupo de promotores decidiu não citar também como ''parte ofendida'' no processo a brasileira Iris Berardi, suspeita de ter recebido dinheiro de Silvio Berlusconi em troca de prestações de serviços sexuais, em dezembro de 2009.

Ela teria passado a noite em Arcore quando ainda era menor de idade, mas as investigações continuam sendo feitas com a análise de gravações telefônicas.

A brasileira, em depoimentos aos jornais italianos, negou o incidente.

Defesa

A defesa de Berlusconi rejeita as acusações e pede que o caso seja julgado por um tribunal especial - o Tribunal dos Ministros - já que ele estava no exercício do mandato no período ao qual as acusações se referem. Os advogados afirmam que os promotores violaram a Constituição.

Eles também pretendem demonstrar que Ruby, ao ser presa, teria tentado mentir sobre o ano da data de nascimento, fingindo ser maior de 18 anos para os policiais. Assim, ela teria também enganado Silvio Berlusconi.

Neste meio tempo, o governo tenta retomar a aprovação de leis que dificultem a autorização judicial para as escutas telefônicas e que acelerem os prazos dos processos na Justiça.

Os adversários políticos afirmam que estas leis servem para proteger o primeiro-ministro Silvio Berlusconi envolvido em diversos processos nos quais o crime de corrupção é um ponto em comum.

O Tribunal de Milão, a partir de diferentes varas penais, marcou audiências para os dias 28 de fevereiro, 5 e 11 de março, para três diversas causas contra Silvio Berluconi e suas empresas.

Protestos

Antes, no dia 13 de fevereiro, está marcada uma grande manifestação popular pedindo a saída de Silvio Berlusconi.

O evento chamado ''Se não Agora, Quando?'' será realizado nas praças públicas das principais cidades do país e é organizado por um grupo de mulheres.

No domingo passado, houve pancadaria entre policiais e manifestantes diante da casa de Silvio Berslusconi, em Arcore, durante um protesto pela sua demissão.

Já no sábado, dez mil pessoas, entre elas o escritor Umberto Eco, participaram de um encontro público em Milão para exigir a renúncia do primeiro-ministro.

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