Refém das Farc é resgatado com apoio do Brasil

Farc/AFP
Image caption Helicópteros do Brasil vêm sendo usados para resgatar reféns

Uma missão humanitária a bordo de um helicóptero brasileiro resgatou, nesta quarta-feira, um dos cinco reféns que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) haviam prometido colocar em liberdade nos próximos dias.

O vereador Marcos Baquero, de 33 anos, era mantido em cativeiro desde junho de 2009. Em suas primeiras declarações a uma emissora de TV local, Baquero fez um apelo para que todos os reféns em poder da guerrilha sejam libertados.

"Temos que continuar trabalhando duro para a libertação de outros sequestrados", disse em contato telefônico com a TV colombiana Caracol. "Graças a Deus, já estou em liberdade", afirmou.

Minutos antes, o porta-voz da Cruz Vermelha confirmou que Baquero já estava com a missão humanitária, porém, esta organização só emitiria um comunicado oficial quando o helicóptero brasileiro que apoia a missão levantasse voo.

Assim como ocorreu nas libertações anteriores de reféns, a missão humanitária tem de aguardar pouco mais de uma hora no local onde ocorreu o resgate, para permitir que os guerrilheiros que entregaram o refém, voltem a seus redutos, sem o risco de perseguição militar.

Festa

O vereador colombiano é esperado pela família no aeroporto de Villavicencio, no departamento (Estado) de Meta (centro do país), ponto de partida da missão humanitária.

Os familiares dizem ter organizado uma festa para receber o vereador, que era presidente do Conselho Municipal de San José del Guaviare quando foi sequestrado pela guerrilha.

Participaram da missão humanitária a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, principal mediadora com a guerrilha, membros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, membros da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz e a tripulação brasileira.

Conforme o acordo estabelecido entre a guerrilha, Cruz Vermelha e o governo, as Forças Armadas suspenderam suas operações militares, incluindo sobrevoos, durante 36 horas, para garantir a segurança das equipes de resgate e dos reféns.

Acordo de paz

A libertação deste grupo de reféns aumenta a expectativa na Colômbia de que a guerrilha e governo negociem um acordo de paz para terminar com o conflito armado que dura mais de seis décadas.

Nesta semana, as Farc emitiram um comunicado no qual mencionam a necessidade de abrir um canal de diálogo que leve a uma "negociação política" do conflito armado.

Para o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, as libertações unilaterais não são suficientes para isso.

"Isso não basta. Os colombianos exigimos, demandamos a imediata libertação de todos os sequestrados", disse. "Para começar a pensar na possibilidade de diálogo são necessários fatos contundentes: renúncia ao terrorismo, ao sequestro, ao narcotráfico, à extorsão e à intimidação", afirmou Santos na segunda-feira.

A última e fracassada tentativa de diálogo entre governo e as Farc ocorreu durante o governo de Andrés Pastrana, entre 1998 e 2002. Desde então, em especial, com a chegada do governo do ex-presidente Álvaro Uribe prevalece a vía militar, não negociada, de combate ao grupo armado.

Novas libertações

Na sexta-feira, a missão humanitária deve regressar à selva colombiana para resgatar a outros dois reféns: o vereador Armando Acuña e o soldado da Marinha Henry López.

O fim do processo de libertações, que ocorrerão em três pontos diferentes da selva colombiana, será no domingo, quando a missão humanitária deve trazer de volta o major da polícia Guillermo Solórzano e o suboficial do Exército Salín Antonio Sanmiguel.

Com essas libertações, ainda restarão 16 reféns em poder da guerrilha. De acordo com a senadora Piedad Córdoba até junho, todos os sequestrados serão colocados em liberdade.

Córdoba, que se tornou a principal articuladora das libertações unilaterais de reféns da guerrilha, teve seu mandato cassado no ano passado, em uma controvertida decisão da Corte colombiana, que a acusou de manter ligações políticas com o grupo armado.

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