Desemprego nos EUA vai permanecer alto por vários anos, diz Fed

Homem preenche dados em agência de emprego nos EUA Direito de imagem AP
Image caption Taxa de desemprego é um dos maiores desafios de Obama

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira que deve levar “vários anos” até que a taxa de desemprego nos Estados Unidos, atualmente em 9%, volte a um nível “normal”.

Em depoimento à Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes (deputados federais), Bernanke disse que até que haja um período sustentado com forte geração de empregos, não se pode considerar que a recuperação econômica americana esteja consolidada.

“Declínios notáveis na taxa de desemprego em dezembro e janeiro, ao lado de uma melhora em indicadores de abertura de vagas e planos de contratação, fornecem base para otimismo no campo do emprego”, disse Bernanke.

“Apesar disso, com a previsão de crescimento moderado por algum tempo e com os empregadores ainda relutantes em abrir novas vagas, deve levar vários anos até que a taxa de desemprego volte a um nível mais normal”, afirmou.

Segundo Bernanke, caso o ritmo de crescimento da economia americana se mantenha no patamar atual, deve levar em torno de dez anos até que se volte a uma taxa de desemprego de entre 5% e 6%.

No último trimestre de 2010 a economia americana registrou crescimento de 0,78% (o equivalente a uma taxa anualizada de 3,2%), resultado considerado insuficiente para reduzir de maneira significativa a taxa de desemprego.

O desemprego é um dos principais problemas enfrentados pelo governo do presidente Barack Obama. Desde o início da recessão nos Estados Unidos, em dezembro de 2007, mais de 8 milhões de empregos foram perdidos.

Deficit

Em seu primeiro depoimento diante de uma Câmara dos Representantes agora controlada pelo Partido Republicano, o presidente do Fed disse que o deficit no orçamento americano é “insustentável” e que os desafios de longo prazo para reduzir esse rombo são “assustadores”.

No mês passado, o Departamento de Orçamento do Congresso divulgou um relatório em que estima que o deficit no orçamento dos Estados Unidos vai chegar ao valor recorde de US$ 1,48 trilhão (cerca de R$ 2,45 trilhões) neste ano.

O valor é o mais alto em dólares desde o fim da Segunda Guerra Mundial e representa 9,8% do PIB (Produto Interno Bruto) americano.

Segundo Bernanke, os fatores fundamentais a contribuir para o aumento do deficit não foram os gastos adicionais do governo durante a recessão, e sim o envelhecimento da população e o rápido aumento nos custos de saúde.

O presidente do Fed projetou uma queda no deficit para 5% do PIB em 2015, seguida de um aumento para 6,5% no fim da década.

Bernanke disse que é necessário um programa de longo prazo para reduzir o deficit, e que qualquer corte dramático de gastos neste momento poderia colocar em risco a recuperação econômica.

O Fed pretende injetar US$ 600 bilhões (cerca de R$ 996 bilhões) na economia americana até junho, por meio de um programa de relaxamento quantitativo (medida que envolve a compra de títulos do Tesouro de longo prazo).

Este é o segundo programa desse tipo implementado pelo Fed, e Bernanke disse aos congressistas que a medida tem sido bem-sucedida e já salvou 3 milhões de empregos.

De acordo com o presidente do Fed, caso a recuperação econômica esteja em uma trajetória sustentável em junho, não será necessário um novo programa do tipo.

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