Saiba quem é quem na crise do Egito

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Image caption Protestos levantam questões sobre o futuro político do Egito

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou nesta sexta-feira ao cargo, de acordo com o vice-presidente, Omar Suleiman.

Os poderes presidenciais vão ser assumidos pelo Conselho das Forças Armadas.

Há 18 dias centenas milhares de pessoas estão indo às ruas do país para pedir a renúncia de Mubarak, que estava há quase 30 anos no poder.

O drama político, observado com grande preocupação por outros países da região e pelos Estados Unidos - que viam Mubarak como um importante aliado -, trouxe à cena personagens que tiveram ou poderão ter um papel importante no futuro político do Egito.

Saiba mais sobre as principais personagens da crise egípcia:

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Image caption Hosni Mubarak chegou ao poder em 1981 no Egito

Hosni Mubarak

Nascido em 1928, foi presidente do Egito desde outubro de 1981, depois do assassinato de Anwar Sadat, de quem foi vice. Foi o principal alvo dos protestos, que exigiam sua saída imediata.

Mubarak governou o Egito com mão de ferro, escorado em uma lei de emergência que dá ao Estado amplos poderes repressivos, que vêm sendo usados para coibir militantes islâmicos no país.

Com apoio dos Estados Unidos, Mubarak sempre buscou uma convivência pacífica com Israel. Seu governo atuou frequentemente como mediador entre israelenses e palestinos.

Mubarak, que era militar e foi comandante da Força Aérea antes de ser vice de seu antecessor, venceu quatro eleições presidenciais - sendo que em três disputou como candidato único. Críticos acusavam o presidente e o seu Partido Nacional Democrático (NDP, na sigla em inglês) de fraudar eleições e suprimir grupos de oposição do processo eleitoral, especialmente o movimento Irmandade Muçulmana.

Para tentar abrandar a onda de manifestações, Mubarak chegou a dissolver seu gabinete e afirmou que conduziria reformas políticas no Egito, mas terminou renunciando após semanas ininterruptas de protestos.

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Image caption Vice já teria salvado vida de Mubarak

Omar Suleiman

Suleiman foi a primeira pessoa a ocupar o cargo de vice-presidente nos quase 30 anos do governo de Mubarak, em uma nomeação vista então como uma demonstração do presidente de que estaria disposto a ceder parte de seu poder.

Antes de ser vice-presidente, chefiou o serviço de inteligência egípcio por 18 anos. Neste período, chegou a ser indicado pela revista Foreign Policy como o chefe de inteligência mais poderoso do Oriente Médio - à frente de Meir Dagan, líder do Mossad (agência de espionagem israelense).

Nascido em 1935, se formou na Academia Militar egípcia, tendo participado das guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973).

Já como chefe da inteligência egípcia, foi tido como responsável por salvar a vida de Mubarak, quando insistiu que o presidente utilizasse um carro blindado em uma visita à Etiópia, em 1995. Na ocasião, Mubarak sofreu um atentado a tiros, do qual escapou sem ferimentos.

Apoiado pelas Forças Armadas, é um aliado próximo do ex-presidente. Nos últimos anos, atou como mediador entre Israel e os palestinos, bem como entre facções rivais palestinas.

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Image caption Opositor venceu o prêmio Nobel da Paz

Mohammed ElBaradei

Ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2005, é uma das principais vozes de oposição a Hosni Mubarak no Egito.

Nascido em 1942, ElBaradei formou-se em Direito pela Universidade do Cairo. Foi chefe da AIEA entre 1997 e 2009, período no qual atuou nas negociações com a Coreia do Norte e o Irã.

Antes da invasão do Iraque, em 2003, ElBaradei questionou as alegações, feitas pelos Estados Unidos, de que o regime de Saddam Hussein teria armas de destruição em massa.

ElBaradei participou ativamente dos protestos no Cairo. Ele nunca disputou eleições, mas seu nome foi fortemente cogitado para liderar um governo de transição.

ElBaradei recebeu o apoio de diversos partidos e movimentos de oposição, como a Irmandade Muçulmana - grupo que ele chegou a apoiar em algumas ocasiões, o que, segundo analistas, desperta incertezas por parte do governo americano.

ElBaradei também sofre críticas internas por ter morado muito tempo fora do Egito e, por este motivo, supostamente ter pouco conhecimento da realidade do país. Especialistas afirmam que, para vários egípcios, o fato de ElBaradei ser um civil conta pontos para ele - o país vinha sendo governado por militares desde 1958.

Image caption Líder islâmico é tido como moderado

Mohammed Badie

Líder do movimento Irmandade Muçulmana, maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, embora atue na ilegalidade.

Nascido em 1943, ele se formou em veterinária em 1965, mesma época em que entrou para a Irmandade. À época, ele era adepto da luta armada em defesa do Islã.

Badie chegou a ficar preso por nove anos, acusado de participar de um grupo paramilitar, e acabou sendo libertado em 1974. Hoje, trabalha como professor de Patologia Veterinária.

Foi indicado como líder da Irmandade em janeiro de 2010, com uma plataforma moderada, em defesa de reformas graduais, da igualdade das mulheres e dos direitos da minoria cristã egípcia.

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Image caption Premiê lutou na Guerra do Yom Kippur

Ahmed Shafiq

Primeiro-ministro do Egito, nomeado por Mubarak durante a crise, no lugar de Ahmed Nazif. Foi designado como responsável para formação do novo gabinete, depois que o então presidente Mubarak dissolveu o anterior.

É ex-comandante da Força Aérea egípcia e ex-ministro da Aviação Civil. Nascido em 1941, entrou para as Forças Armadas aos 20 anos. Combateu na Guerra do Yom Kippur (1973) sob o comando de Mubarak.

Até chegar ao cargo de primeiro-ministro, sua carreira política foi marcada principalmente por sua gestão no setor de aviação civil egípcio, com a modernização de aeroportos e a reestruturação da estatal aérea EgyptAir.

Image caption Filho de Mubarak é dirigente partidário

Gamal Mubarak

Filho mais novo de Hosni Mubarak, vice-secretário-geral do partido governista NDP e um dos principais alvos dos protestos populares realizados no Egito.

Nascido em 1963, estudou na Universidade Americana do Cairo. Fez carreira no setor financeiro, tendo morado por muitos anos na Grã-Bretanha. Chegou ao NDP em 2000, por indicação de seu pai.

Embora tenha sido apontado desde então como possível "herdeiro" da presidência egípcia, Gamal sempre desmentiu qualquer intenção de suceder Mubarak. Já manifestou ser um admirador dos ex-primeiros-ministros britânicos Winston Churchill e Margaret Thatcher.

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Image caption Chefe da Liga Árabe pode concorrer

Amr Moussa

Secretário-geral da Liga Árabe desde 2001 e ex-ministro das Relações Exteriores egípcio, é um dos nomes especulados para disputar a eleição presidencial marcada para o fim de 2011.

Moussa nasceu em 1936 e fez carreira como diplomata, tendo sido representante permanente do Egito nas Nações Unidas.

Embora não tenha se manifestado claramente a favor da saída de Mubarak, Moussa chegou a dizer que esperava a adoção de reformas democráticas por parte do governo, afirmando que "qualquer novo governo deve ouvir aquilo que o povo está dizendo".

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