Israelenses esperam que Egito mantenha acordo de paz

Netanyahu (esquerda) e Mubarak/AP Direito de imagem AP
Image caption Mubarak era considerado um aliado confiável de Israel

Fontes do governo israelense, citadas pela imprensa do país, disseram nesta sexta-feira que esperam que o acordo de paz entre Israel e o Egito, em vigor há 31 anos, seja mantido agora que o presidente Hosni Mubarak deixou o poder no Cairo.

Segundo a rádio estatal de Israel, as fontes, cujas identidades não foram reveladas, afirmaram esperar que o período de transição no Egito transcorra sem sobressaltos ou violência.

Uma hora depois da renúncia de Mubarak, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, não havia anunciado uma reação. O premiê, porém, pediu aos ministros que não se pronunciassem sobre a saída de Mubarak.

Leia mais: Após 30 anos Mubarak deixa o poder no Egito

Na cidade de Haifa, no norte do país, centenas de cidadãos árabes de Israel saíram às ruas para festejar a queda do presidente egípcio.

Futuro

Danny Yatom, ex-chefe do Mossad, o serviço secreto israelense, disse acreditar que a queda de Mubarak possa desencadear um efeito dominó em outros paises do Oriente Médio.

"O acordo de paz não será rompido, mas o novo regime do Egito será mais hostil a Israel", disse ele.

Mas o ex-ministro Binyamin Ben Eliezer, do partido Trabalhista, que tem laços pessoais com o ex-presidente Mubarak, afirmou que "o Oriente Médio perdeu um líder que manteve a estabilidade na região".

Ben Eliezer também manifestou preocupação com o futuro das relações entre Israel e o Egito.

Irmandade Muçulmana

Desde o início dos protestos no Egito, em 25 de janeiro, o governo e vários analistas em Israel têm manifestado preocupação com a possibilidade de que a Irmandade Muçulmana – o principal grupo de oposição a Mubarak – tome o poder.

Netanyahu repetiu diversas vezes que o Egito "pode se transformar em um Irã".

Na quinta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, pediu que os paises ocidentais deixem de pressionar por mudanças "apressadas" no Egito e afirmou que, para evitar a vitória da Irmandade Muçulmana nas eleições, "é necessário mais tempo para que os outros partidos possam se organizar para o pleito".

Já o ex-chanceler e historiador Shlomo Ben Ami declarou que não compartilha da "histeria geral" com a possibilidade da ascensão da Irmandade Muçulmana.

Segundo Ben Ami, o Egito pode ser o berço de uma democracia multipartidária com a participação de partidos nacionalistas seculares e de partidos islâmicos.

Os serviços de Inteligência de Israel seguem com atenção os últimos desdobramentos no Egito, considerado um dos mais influentes países árabes e cujo exército seria o segundo mais forte do Oriente Médio, depois de Israel.

Desde o acordo de paz entre os dois paises, houve tranquilidade na fronteira entre Israel e o Egito.

Porém, com a reviravolta no regime egípcio, analistas militares já advertem quanto à necessidade de aumentar orçamentos do Exército e o tempo de serviço dos reservistas em Israel.

Leia mais na BBC Brasil: Instabilidade no Egito favorece guinada à direita em Israel

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