Praça vive 'clima de final de Copa' após renúncia de presidente

Celebração na Praça Tahrir Direito de imagem AP
Image caption Em meio à celebração, há preocupações quanto ao futuro

A Praça Tahrir, foco das manifestações antigoverno do Cairo, e seus arredores estão vivendo um “clima de Copa do Mundo” com a renúncia do presidente egípcio, Hosni Mubarak, anunciada nesta sexta-feira.

Os milhares de manifestantes começaram a hastear suas bandeiras, buzinar, soltar fogos de artifício, dançar e cantar pelas ruas. Os acessos à praça ficaram congestionados pelo excesso de carros e de pessoas, muitas delas jovens e mulheres. Muitos seguiam se dirigindo ao local para participar das celebrações.

"É o dia mais feliz da minha vida, estou mais feliz do que quando o Egito ganhou a Copa Africana (de futebol)", disse à BBC Brasil o advogado Mohamed Bahsem.

"Quero ver um país democrático, livre e próspero, quero que as pessoas saiam da pobreza", disse Bahsem, que estava celebrando nas ruas da capital egípcia.

O estudante universitário Ahmad El-Hawy, de 26 anos, comemorou a possibilidade de, pela primeira vez em sua vida, conhecer "um presidente novo", já que Mubarak governou o Egito pelos últimos quase 30 anos.

"Todo o esforço de quem morreu nos protestos foi recompensado (com a renúncia)", declarou.

A dentista Leila Ahmad disse ter mobilizado seus amigos pelo Facebook e participado de vários dos 18 dias de protesto que culminaram na queda do presidente egípcio.

"Nos últimos cinco dias, comecei a sentir esperança de que ele renunciaria", disse ela, que afirma ter mantido esta expectativa mesmo quando, na última quinta, Mubarak disse em pronunciamento na TV que permaneceria no poder.

"As pessoas responderam (ao pronunciamento) com ainda mais força. Mubarak não tinha outra saída", opinou Leila.

Preocupações

“Conseguimos, não posso acreditar. Mubarak se foi. Sofremos por anos, e finalmente o ditador se foi. Vamos nos lembrar desse dia para sempre”, disse à BBC Gigi Ibrahim, outra manifestante na Praça Tahrir.

Mas, em meio às comemorações, havia também preocupações quanto ao futuro do país.

O correspondente da BBC Jon Leyne explica que o fato de um Conselho das Forças Armadas ter assumido o poder causou uma sensação de que pode ter havido um golpe, já que a Constituição previa que o poder fosse assumido pelo chefe do Parlamento.

Por enquanto, poderes presidenciais recairão sobre o Conselho das Forças Armadas, liderado pelo ministro da Defesa Mohamed Hussein Tantawi.

“Queremos um Estado civil, não um Estado militar”, disse à BBC o manifestante Taher, que acampou na Praça Tahrir nas últimas semanas.

Outro egípcio escreveu à BBC dizendo esperar por uma “transição pacífica de poder”.

“Então, me preocupa esse ato (de troca de comando). É o que as pessoas querem, mas não é necessariamente melhor para elas”, disse Maged Salib à seção Have your Say, da BBC.

“Temos que esperar que o Exército declare exatamente o que fará. A única autoridade legal agora é dos membros do Parlamento. Se o Exército disser que vai dissolver o Parlamento, então não teremos Constituição, governo ou vice-presidente.”

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