Egito não será mais o mesmo após queda de Mubarak, diz Obama

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Image caption Segundo Obama, egípcios enfrentarão 'dias difíceis' pela frente

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que o Egito nunca mais será o mesmo depois do movimento que levou à queda do presidente Hosni Mubarak e que a renúncia do líder marca o início da transição.

“O povo do Egito falou, suas vozes foram ouvidas, e o Egito nunca mais será o mesmo”, disse o presidente, em um pronunciamento na Casa Branca.

Segundo Obama, a renúncia de Mubarak não encerra a transição do Egito, e haverá “dias difíceis” pela frente.

“Ao renunciar, o presidente Mubarak respondeu à fome de mudança do povo egípcio. Mas este não é o fim da transição no Egito. É um começo”, afirmou o presidente americano.

“Estou certo de que haverá dias difíceis pela frente e muitas questões permanecem sem resposta. Mas estou confiante de que o povo do Egito pode encontrar as respostas, e fazê-lo pacificamente, de maneira construtiva e dentro do espírito de união que definiu essas últimas semanas.”

Militares

O presidente egípcio renunciou ao cargo nesta sexta-feira, depois de quase 30 anos no poder e após 18 dias de protestos que exigiam sua saída.

Com a saída de Mubarak, os poderes presidenciais passarão para o Conselho das Forças Armadas, liderado pelo ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi.

Segundo Obama, o povo egípcio deixou claro que não vai aceitar nada menos que a democracia genuína e pediu que os militares egípcios coloquem fim ao estado de emergência, revisem a Constituição e comecem os preparativos para eleições livres e justas.

O presidente americano também elogiou a postura dos militares durante a crise egípcia por não responderem aos protestos com violência e disse que seus membros serviram de maneira patriótica e responsável.

Amizade

Em seu pronunciamento, Obama reafirmou os laços de amizade entre os Estados Unidos e o Egito.

Durante o governo de Mubarak, o Egito se consolidou como um importante aliado dos americanos na região e recebe mais de US$ 1 bilhão por ano em assistência dos Estados Unidos.

“Os Estados Unidos continuarão a ser um amigo e um parceiro do Egito. Nós estamos prontos para fornecer qualquer assistência necessária e que seja solicitada para buscar uma transição confiável para a democracia”, afirmou.

Obama disse ainda que um Egito democrático “pode avançar seu papel de liderança responsável não apenas na região, mas em todo o mundo”.

O líder americano comparou os jovens egípcios que participaram dos protestos aos alemães que derrubaram o Muro de Berlim e à liderança de Gandhi no movimento pela independência da Índia.

“O dia de hoje pertence ao povo do Egito, e o povo americano está tocado por essas cenas no Cairo e em todo o Egito”, disse Obama.

ONU

Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon disse que a voz do povo egípcio foi ouvida, e que cabe a eles determinar o futuro de seu país.

“Neste momento histórico, reitero meu pedido por uma transição transparente, ordenada e pacífica, que atenda às aspirações legítimas do povo egípcio e inclua eleições justas, livres e confiáveis, levando à rápida criação de um governo civil”, disse Ban, em um comunicado.

“Peço às autoridades de transição que tracem um caminho claro, com a participação de todos os interessados”, afirmou.

“Neste processo, é de vital importância que os direitos humanos e as liberdades civis sejam inteiramente respeitados, e que seja assegurado um diálogo genuíno e inclusivo.”

Ban disse ainda que a ONU está pronta para dar assistência nesse processo.

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