Manifestantes voltam a praça no Cairo; clima no local é tenso

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Image caption Manifestantes discutem com soldados na praça Tahrir, no centro do Cairo

Milhares de manifestantes estão se dirigindo à praça Tahrir, no centro da capital do Egito, Cairo, para se unir às poucas centenas de pessoas que continuam acampadas no local, a quem o Exército está tentando remover.

O chefe do bureau de Oriente Médio da BBC, Paul Danahar, afirma que há vários dias o clima na praça Tahrir não era tão tenso. Houve diversos casos de empurra-empurra entre manifestantes e militares, que insistem em liberar a praça.

A praça Tahrir foi o principal foco dos protestos populares iniciados no dia 25 de janeiro, pedindo a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak. Na última sexta-feira, depois de quase 20 dias de protestos, Mubarak deixou o poder, após quase 30 anos.

As pessoas que ficaram acampadas na praça dizem que só sairão quando o Comando Militar, que assumiu o poder no lugar de Mubarak, implementar reformas democráticas.

"Nós não queremos quaisquer manifestantes acampados na praça depois de hoje", disse neste domingo o chefe da polícia militar egípcia, Mohamed Ibrahim Moustafa Ali.

Na manhã deste domingo, centenas de policiais - uma das forças de segurança mais temidas pelos egípcios durante o governo de Mubarak - entrou na praça Tahrir, o que aumentou a tensão no local.

Os policiais cantavam: "é um novo Egito, o povo e a polícia são um só", semelhante a um grito de ordem bastante popular durante os protestos das últimas semanas no Cairo. A multidão, no entanto, gritou de volta: "vão embora, vão embora".

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne afirma que os soldados que estão na praça parecem indecisos sobre como reagir ao crescente número de manifestantes que se dirige para a área.

O editor de Oriente Médio da BBC afirma que um grupo bastante consistente de ativistas está localizado em um dos cantos da praça Tahrir, apesar das tentativas do Exército em remover as pessoas.

A grande maioria dos egípcios que havia montado acampamento no local já foi embora. Muitos tiveram a ajuda do exército para desmontar suas barracas. Os veículos já trafegam com normalidade na praça, onde barricadas haviam sido erguidas durante os protestos.

O Exército egípcio começou a retirar as barricadas dos acessos à praça nesse sábado, removendo carros queimados que serviam de barreiras. Além disto, centenas de pessoas fizeram mutirões para limpar o local.

As Forças Armadas mantêm tanques e veículos blindados nas ruas, principalmente em frente aos prédios do governo e de outras instalações importantes.

Obama

O presidente americano, Barack Obama, elogiou na noite desse sábado o compromisso dos militares egípcios de entregar o governo aos civis. Segundo Obama, a democracia no Egito vai trazer mais estabilidade para o Oriente Médio, e não o contrário.

Mais cedo, o Comando Militar egípcio havia afirmado que respeitará todos os tratados internacionais firmados pelo país, e se disse comprometido em entregar o governo aos civis - embora sem dar um prazo específico para isto.

Por meio de um comunicado, Obama também parabenizou o povo egípcio pela “mudança histórica” promovida no país e deixou clara sua “profunda admiração por seus esforços”.

O presidente americano reiterou ainda o apoio dos Estados Unidos, inclusive financeiro, ao Egito.

Segundo o correspondente da BBC em Washington Tom Burridge, o conselheiro militar da Casa Branca, Mike Mullen e outros militares de alta patente estão a caminho da região para debater sobre o futuro do país.

Já o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, elogiou a garantia anunciada pelo comando militar de que irá respeitar os tratados internacionais. Israel e Egito assinaram um acordo de paz em 1979.

Netanyahu afirmou que "o acordo de paz que vigora há muitos anos entre Israel e o Egito contribuiu muito para ambos os países e constitui a pedra fundamental para a paz e a estabilidade em todo o Oriente Médio".

* Colaborou Tariq Saleh, enviado especial da BBC Brasil ao Cairo

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