França descarta propor regulação de preços de commodities ao G20

Christine Lagarde/AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Lagarde pediu maior transparência sobre os estoques

A ministra de Economia da França, Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira que seu país – que atualmente ocupa a Presidência rotativa do G20 – não pretende propor medidas para regular os preços das commodities, mas cobrou “transparência” do países produtores em relação aos estoques.

O aumento nos preços das commodities deve ser um dos temas que dominarão a pauta do encontro do G20, grupo das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, que acontece nesta semana em Paris.

"Repito para os nossos amigos brasileiros que não queremos administrar os preços (das commodities). Queremos transparência e visibilidade sobre os estoques e também mecanismos de seguro para evitar a grande volatilidade", disse a ministra.

A volatilidade nos preços das commodities agrícolas é motivo de preocupação para grande parte dos países desenvolvidos, mas propostas de regulação são encaradas com desconfiança pelo Brasil.

Lagarde também disse esperar propostas do Brasil em relação à reforma do sistema financeiro internacional.

"Queremos a regulação dos mercados de derivativos de commodities, como existe em relação aos produtos financeiros", afirmou Lagarde.

Necessidade

A ministra reconheceu que grandes exportadores de produtos agrícolas - entre eles o Brasil - questionam a necessidade de regulação desse mercado.

"Há muita incompreensão sobre o assunto e muita ansiedade por parte de um certo número de grandes emergentes que são grandes produtores agrícolas e têm se beneficiado do aumento dos preços", afirmou Lagarde.

No caso do Brasil, que bateu recordes de exportações no ano passado, boa parte deste desempenho pode ser atribuída justamente ao aumento dos preços dos produtos agrícolas.

A França defende a necessidade de regular os instrumentos financeiros ligados às transações de matérias-primas "para evitar os abusos do mercado", segundo Lagarde.

"Paralelamente à evolução dos preços das commodities, há uma financeirização crescente desse setor de atividade. O mercado de derivativos de matérias-primas se desenvolveu maciçamente desde 2004", disse Lagarde.

A ministra, no entanto, admite que as negociações sobre o tema da volatilidade dos preços das matérias-primas “não serão fáceis”.

Sistema financeiro

A Presidência francesa do G20 também defende a reforma do sistema financeiro internacional. O Brasil e o México integram esse grupo de trabalho, que vem sendo pilotado pela Alemanha.

Entre as propostas francesas nessa área estão a necessidade de redução das reservas cambiais internacionais, consideradas "improdutivas" pelo presidente Nicolas Sarkozy, uma melhor regulação dos fluxos de capitais, com um "código de boa conduta" nessa área, além da internacionalização de novas moedas, como o yuan.

Segundo o governo francês, essas medidas permitiriam "restabelecer os equilíbrios macroeconômicos e monetários" em uma economia mundial "cujo centro de gravidade se deslocou para o lado dos países emergentes".

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