Saiba mais sobre o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi

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Image caption Berlusconi: premiê sofre acusações há anos

Após três mandatos, Silvio Berlusconi é o primeiro-ministro há mais tempo no poder na Itália do pós-guerra, assim como um dos homens mais ricos do país.

O premiê de 74 anos e sua família acumularam uma fortuna estimada pela revista Forbes em US$ 9 bilhões (R$ 14,9 bilhões).

Seu tino comercial - ele tem um império que se estende pelas áreas de mídia, publicidade, seguros, alimentação e construção - se tornou prova suficiente para muitos italianos de que ele era apto para governar também o país.

Berlusconi é dono de um dos clubes de futebol mais bem sucedidos da Itália, o Milan, e sua empresa de investimentos controla três das maiores redes de TV privadas do país. Como premiê, ele tem ainda o poder de nomear os chefes dos três canais públicos da rede RAI.

O premiê conseguiu driblar uma série de escândalos sexuais, políticos e de corrupção, mas o fluxo constante de acusações contra ele fez com que muitos aliados e amigos se afastassem.

Sua segunda mulher, Veronica Lario, pediu divórcio em maio de 2009 e disse a um jornal que ela não poderia ficar com um homem que "se envolve com menores".

Em novembro de 2010, seu ex-aliado político Gianfranco Fini pediu que ele renunciasse, quando surgiram revelações sobre uma dançarina marroquina adolescente chamada Ruby.

Berlusconi passou por uma moção de não-confiança no Parlamento. Mas no dia 15 de fevereiro, a juíza Cristina Di Censo ordenou que ele fosse julgado no dia 6 de abril sob acusações de pagar por sexo com Ruby - cujo nome verdadeiro é Karima El Mahroug - quando ela tinha 17 anos.

Ele também tinha sido acusado de abuso de poder em outro caso relacionado a Ruby.

Batalhas legais

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Image caption Mulheres protestam contra Berlusconi em Roma

Berlusconi, nascido em Milão, sempre afirmou que estava sendo perseguido pelas autoridades da cidade.

Ele foi acusado de desvio de verbas, fraude fiscal e contábil, e de tentativa de subornar um juiz. Mas sempre negou ter cometido qualquer crime e nunca foi condenado de forma definitiva.

Vários destes casos foram a julgamento. Em alguns deles, Berlusconi foi absolvido. Em outros, foi condenado, mas o veredicto foi derrubado com recursos. Em outros, limitações legais fizeram com que os casos fossem abandonados antes de chegar à conclusão.

Em 2009, Berlusconi estimou que em 20 anos ele havia comparecido 2.500 vezes a cortes, em 106 julgamentos, com um custo legal de 200 milhões de euros (cerca de R$ 450 milhões).

Seu governo aprovou reformas que alteravam a definição legal de fraude, mas parte de uma lei de 2010 que dava a ele e a outros ministros sêniores imunidade temporária foi derrubada pela Corte Constitucional da Itália, que deixou a decisão final a cargo dos juízes.

Nascido no dia 29 de setembro de 1936, Silvio Berlusconi começou sua carreira vendendo aspiradores de pó, e trabalhou como cantor em clubes e cruzeiros.

Ele se formou em direito em 1961 e então criou a Edilnord, uma empresa de construção civil, estabelecendo-se como um empresário da área perto de sua Milão natal.

Dez anos depois lançou um canal local de TV - Telemilano - que se transformaria no maior império da mídia na Itália, o Mediaset.

Sua gigantesca holding, Fininvest, tem hoje o controle da Mediaset, da Mondadori, maior editora da Itália, do diário Il Giornale, do clube Milan e de dezenas de outras empresas.

'Forza Italia'

Em 1992, Berlusconi fundou seu partido político, o Forza Italia - que recebeu o nome de um grito da torcida do Milan.

No ano seguinte se tornou primeiro-ministro, formando uma coalizão com a Aliança Nacional e a Liga do Norte, ambos de direita.

Mas disputas entre os líderes dos três partidos, juntamente com o indiciamento de Berlusconi por acusações de evasão fiscal por um tribunal de Milão, levaram à queda do governo sete meses depois.

Ele perdeu as eleições de 1996 para o esquerdista Romano Prodi, mas em 2001 estava de volta ao poder, mais uma vez em uma coalizão com seus antigos aliados.

Berlusconi perdeu as eleições gerais de 2006, novamente para Romando Prodi.

O líder italiano parece mais jovem do que seus 74 anos, em parte devido a um transplante de cabelo e a uma cirurgia plástica em torno dos olhos.

Mas em novembro de 2006, após sua derrota eleitoral, Berlusconi desmaiou em um comício de seu partido. Ele recebeu um marca-passos para controlar suas batidas cardíacas, e recebeu ordens médicas de desacelerar seu ritmo de vida.

Mas ele voltou ao poder para um terceiro mandato em abril de 2008, derrotando o líder de centro-esquerda Walter Veltroni, à frente do novo partido Povo da Liberdade (PDL) - que inclui o seu Forza Italia e a Aliança Nacional.

Sempre bronzeado e quase sem rugas, ele parecia políticamente mais forte do que nunca na primeira fase de seu terceiro mandato.

Sua reação rápida ao terremoto que atingiu a região de Abruzzo em abril de 2009 teria aumentado sua popularidade.

E momentos após ser atacado na rua em Milão em dezembro de 2009, Berlusconi saiu do carro para o qual tinha sido empurrado por seguranças, para mostrar à multidão que não tinha sido gravemente ferido.

Briga amarga

Mas apesar de seus opositores à esquerda parecerem fragmentados, seus aliados políticos começaram a se afastar, e Berlusconi viu seu poder ser enfraquecido. Em abril de 2010, ele e seu parceiro de coalizão Gianfranco Fini tiveram uma briga amarga em um congresso do partido, transmitido ao vivo pela TV.

Berlusconi sobreviveu a várias moções de não-confiança no Parlamento em meados do ano passado, porque Fini e seus simpatizantes haviam se recusado a votar contra ele. Mas em dezembro, políticos leais a Fini deixaram o governo e a margem de vitória de Berlusconoi foi de apenas três votos.

A seus problemas políticos se seguiu uma série de denúncias sobre sua vida sexual privada.

As mulheres de Berlusconi

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Image caption A marroquina 'Ruby': pivô de um dos maiores escândalos que envolvem o premiê

Em maio de 2009, sua segunda mulher disse que estava se divorciando após Berlusroni ter sido fotografado no aniversário de 18 anos de uma aspirante a modelo, Noemi Letizia. Ela também o acusou de escolher uma lista de candidatos ao Parlamento europeu "vergonhosamente ruim".

Ele se viu diante de novos escândalos, quando foram tiradas fotos de mulheres com os seios à mostra perto de um homem nu em sua vila na Sardenha. Houve também denúncias de que uma celebridade tinha usado o jato oficial do premiê para voar para a ilha.

Em julho de 2009, gravações em áudio apareceram na mídia italiana, que seriam conversas do premiê com uma famosa prostituta de luxo, Patrizia D'Addario. A conversa teria revelado que ela e outras mulheres foram pagas para participar de festas na residência de Berlusconi em Roma.

Outros relatos sobre jovens mulheres emergiram. Em outubro de 2010, houve uma denúncia de que Berlusconi havia telefonado para uma delegacia pedindo a libertação de Ruby, de 17 anos, que estava presa por roubo. Ela também teria participado das festas de Berlusconi, mas nega ter mantido relações sexuais com o premiê.

Berlusconi teve que rebater outras acusações de festas envolvendo jovens prostitutas em suas casas. Ele sempre disse que "não era santo" e diz que jamais pagou por sexo com uma mulher.