Europa

Barco com imigrantes egípcios é interceptado na costa da Itália

Imigrantes da Tunísia carregam uma faixa que diz "Obrigado, Lampedusa"

Mais imigrantes do norte da África chegaram à Itália nesta terça-feira, durante a crise política que envolve os países da região. Um barco com cerca de 30 pessoas foi interceptado pela polícia na costa da Sicília.

Acredita-se que as pessoas no barco sejam cidadãos egípcios que tentavam entrar no país.

Também nesta terça-feira, a Itália alertou a União Europeia de que o alto contingente de imigrantes tunisianos desembarcando em sua costa pode ter efeitos devastadores em todas as nações da região.

O ministro do Interior, Roberto Maroni, disse que os tunisianos que chegaram durante a última semana à ilha de Lampedusa, no sul da Itália, ameaçam as estruturas sociais e institucionais da Europa.

O país pediu cerca de 100 milhões de euros (R$ 225 milhões) à União Europeia para lidar com o influxo.

O porta-voz da Comissão Europeia para Assuntos Internos, Michele Cercone, afirmou que deve haver uma política comum europeia para a crescente migração estimulada pelos tumultos no norte da África.

“Por um lado, precisamos intervir, se necessário, com medidas urgentes para dar assistência aos Estados membros. Por outro lado, temos que ter certeza de que estamos cooperando com os países de origem deses imigrantes para ter uma solução mais consistente.”

O ministro francês de Assuntos Europeus, Laurent Wauquiez, disse hoje à imprensa que a França admitiria a entrada de tunisianos no país somente em "casos muito específicos".

Fuga

Na semana passada, mais de 5 mil imigrantes chegaram de barco à ilha de Lampedusa. Eles dizem estar em busca de emprego e de uma vida melhor na Itália e em outros países europeus.

Segundo Roberto Maroni, 334 imigrantes ilegais foram enviados de volta ao país pela guarda costeira tunisiana, mas mais de 2 mil entraram no país.

O aumento da imigração começou após os protestos populares contra o desemprego e a pobreza na Tunísia, que resultaram na fuga do presidente Zine al-Abidine Ben Ali do país.

O ministro disse que os recentes tumultos políticos podem dar início a um rápido processo de mudança nos países da África setentrional, que pode ter conseqüências devastadoras nas estruturas sociais e institucionais das nações européias.

“Eu pedi, e acho que é fundamental, que a Europa em seus mais altos níveis – chefes de Estado e governo – defina uma estratégia e dê início a uma ação diplomática forte em todos os países que foram atingidos por estes fenômenos”, disse Maroni.

Ele afirmou ainda que pediu a intervenção da agência de controle das fronteiras da União Europeia, a Frontex, e destacou 200 soldados a mais para supervisionar os centros onde estão os imigrantes.

O prefeito de Lampedusa, Bernadino Rubeis, declarou estado de emergência na ilha.

Fuga

A funcionária da agência de refugiados da ONU Laura Boldrini, que está em Lampedusa, disse ao Serviço Mundial da BBC que a situação na ilha é “crítica”.

Segundo ela, as condições melhoraram desde que o centro de recepção da ilha reabriu no último domingo, mas era importante enviar as pessoas para outros centros na Itália.

Boldrini disse que os imigrantes queriam escapar da “insegurança” na Tunísia e planejavam viajar para a França e outros países europeus.

Segundo o correspondente da BBC em Lampedusa, Matt Cole, a maioria dos homens aparentam ter por volta de 20 anos.

“Eles carregam sacolas ou mochilas pequenas e quase nada mais. Falam principalmente francês e repetem o desejo de 'liberdade'”.

O correspondente da BBC em Túnis Jim Muir diz que muitas pessoas estão confusas com o número de cidadãos saindo da Tunísia em direção à Itália, já que a situação no país parece estar se estabilizando.

Muir diz que a maioria dos tunisianos que sairam do país parecem ser imigrantes econômicos aproveitando a brecha na segurança. No entanto, alguns dos que tentam sair do país estão bem vestidos e pagam mais caro pela viagem.

Segundo o correspondente, isso indica que eles podem ser funcionários do antigo regime que estariam fugindo para evitar possíveis punições.

Relatos ainda não confirmados dizem que pelo menos cinco imigrantes morreram e outros estão desaparecidos depois que o barco que os levava afundou na costa da Tunísia perto de Zarzis. O barco estaria carregando 120 passageiros rumo à Itália.

França

Nesta terça-feira, a França disse que só permitiria que tunisianos se refugiassem no país em "casos específicos".

O ministro de Assuntos Europeus, Laurent Wauqiez, disse à imprensa que, apesar do grande número de imigrantes que indicaram querer ir para a França, o ministério do Interior examinaria cada caso.

"A posição da França é de não recompensar a imigração ilegal", disse.

A França colonizou a Tunísia e tem parte de sua população de origem tunisiana.

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