Belgas protestam contra impasse político com batata fria e strip-tease

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Image caption A senadora Temmerman sugeriu que esposas de políticos fizessem greve de sexo para pressionar maridos

Após 249 dias sem governo, os belgas fazem nesta quinta-feira um protesto bem humorado, com batatas frias e até strip-tease, para pedir o fim do impasse político.

A Bélgica agora se iguala ao Iraque em tempo sob comando de um Executivo provisório: já são 249 dias.

Após a invasão americana, o Iraque levou 249 dias para decidir como formaria um governo de coalizão e outros 40 dias para efetivamente formar o gabinete.

Na Bélgica, entretanto, o problema não é a guerra, mas um impasse causado por disputas de poder entre representantes das duas maiores comunidades linguísticas do país, valona francófona e flamenga (que fala um dialeto semelhante ao holandês).

A rica região flamenga, ao norte, exige mais competências, incluindo em áreas como imigração e política laboral, e uma redução na transferência de fundos para a vizinha mais pobre, a Valônia francófona, ao sul.

Para protestar contra essa situação, um grupo de estudantes - em parceria com a plataforma artística “Pas en Notre Nom” (Não em nosso nome, em francês) - convocou o país a se mobilizar em uma “revolução das batatas fritas”. O nome que faz referência ao prato preferido tanto de francófonos como de flamengos e que indica o tom bem-humorado que pretendem dar os organizadores do evento.

“O objetivo é denunciar o impasse político e também celebrar o recorde alcançado pela Bélgica (considerando apenas o primeiro período iraquiano)”, disse à BBC Brasil o presidente da Federação de Estudantes Francófonos, Michaël Verbauwhede, um dos idealizadores da iniciativa.

“Estamos fartos. A população não se reconhece nessas ideias que querem dividir o país. Sabemos que é perfeitamente possível viver juntos e que não resolveremos melhor os verdadeiros problemas – econômicos e ecológicos – se dividindo”, defendeu.

Strip-tease e batatas fritas

A “revolução” belga terá uma série de atividades inusitadas realizadas simultaneamente em diversas cidades do país durante todo o dia, entre elas um strip-tease coletivo em Gent, onde são esperados cerca de 250 participantes.

Em Louvain-la-Neuve os participantes poderão brincar de tiro ao alvo com fotos dos principais líderes políticos do país e assinar um muro de reivindicações, enquanto na cidade de Antuérpia está prevista uma festa ao ar livre, com DJ e distribuição gratuita de batatas fritas e cerveja.

Esta será a segunda vez que os belgas saem às ruas para se manifestar contra a crise política iniciada com a renúncia do primeiro-ministro Yves Leterme, em abril de 2010, e a realização de eleições antecipadas, em junho do mesmo ano.

Em meados de janeiro, quando o país superou o recorde europeu de 208 dias sem governo, mantido por Holanda desde 1977, quase 40 mil pessoas protagonizaram a chamada “marcha da vergonha” pelas ruas de Bruxelas.

Acampamento

Já na internet, há diversas iniciativas contra a ausência de um governo. Uma delas é o site www.camping16.be, que convida os cidadãos a acampar virtualmente diante da sede do governo e tem quase 152 mil adeptos.

Iniciativas individuais também tentaram chamar a atenção da classe política, entre elas o apelo lançado pelo ator belga Benoit Poelvoorde para que os homens do país deixassem a barba crescer até a formação de um novo governo.

Mais recentemente, a senadora flamenga Marleen Temmerman sugeriu que as esposas dos políticos envolvidos nas negociações governamentais fizessem greve de sexo até que seus maridos cheguem a um acordo.

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