Manifestantes se enfrentram durante funeral de ativista no Irã

Manifestantes no Irã Direito de imagem REUTERS
Image caption Cortejo teve início no local onde estudante foi morto

Ativistas contrários e a favor do regime do Irã se enfrentaram nesta quarta-feira durante o funeral de um estudante morto em protestos contra o governo realizados na segunda-feira.

Tanto representantes de uma facção como de outra afirmam que o estudante morto era um de seus correligionários.

Saneh Jaleh, de 26 anos, foi uma das duas pessoas mortas durante os protestos da segunda-feira.

As manifestações foram as primeiras realizadas no país em mais de um ano e as maiores no Irã desde 2009, quando grupos opositores foram às ruas para protestar contra as supostas fraudes ocorridas nas eleições presidenciais que reelegeram Mahmoud Ahmadinejad.

Os protestos de segunda-feira no Irã, que reuniram milhares de pessoas, reforçam a onda de manifestações antigovernistas que está varrendo diferentes países árabes e muçulmanos.

Os protestos tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Na semana passada, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Nos últimos dias, também foram realizado protestos no Barein, que já deixaram três pessoas mortas, e manifestações na Argélia, Iêmen e Jordânia.

Confronto

O confronto entre as duas facções ocorreu durante o cortejo fúnebre de Jaleh, que teve início na Universidade de Teerã, no centro da capital, segundo a agência de notícias oficial iraniana IRIB. A agência oficial não deu informações sobre feridos.

O repórter da BBC Mohsen Asgari, que participou do cortejo, disse não ter visto confrontos mais graves. Mas acrescentou que a polícia bloqueou todas as ruas que tinham ligação com a universidade e só estavam permitindo a entrada de simpatizantes do governo.

'Lugar algum'

Mahmoud Ahmadinejad afirmou em uma entrevista à TV local que os protestos da oposição realizados em várias cidades do país no início da semana “não vão a lugar algum” e prometeu punir os seus organizadores.

O presidente iraniano afirmou, durante a entrevista, que “inimigos” estão tentando “manchar o esplendor da nação iraniana”.

Na semana anterior, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, havia elogiado os protestos no Egito, os quais comparou à Revolução Islâmica de 1979 no Irã.

Dezenas de pessoas foram presas após os protestos e vários líderes da oposição, incluindo os ex-candidatos presidenciais Mir Hossein Mousavi e Mahdi Karroubi, foram colocados em prisão domiciliar.

Na terça-feira, parlamentares iranianos pediram que Mousavi e Karroubi fossem julgados e executados por terem convocado os protestos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou duramente a resposta das autoridades iranianas aos protestos.

“Acho irônico que você tenha o regime iraniano pretendendo celebrar o que aconteceu no Egito, quando de fato eles agiram em contraste direto com o que aconteceu no Egito ao abater e golpear pessoas que estavam tentando se expressar pacificamente”, disse o presidente americano.

Obama afirmou que os Estados Unidos não podem determinar o que acontece dentro do Irã, mas que esperava que as pessoas tivessem “a coragem de serem capazes de expressar sua nostalgia por uma maior liberdade e por um governo mais representativo”.

‘Morte aos ditadores’

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Image caption Protestos em Teerã reuniram dezenas de milhares na segunda-feira

Na entrevista desta terça-feira, Ahmadinejad afirmou que a intenção dos protestos realizados no dia anterior em Teerã e em várias outras grandes cidades do país era manchar a imagem de um evento realizado na sexta-feira para comemorar o 32º aniversário da revolução islâmica.

“É claro que a nação iraniana tem inimigos, porque é uma nação que quer brilhar, conquistar picos e mudar suas relações (internacionais)”, disse ele.

“Claro, há muita hostilidade contra o governo. Mas eles sabiam que não chegariam a lugar nenhum”, afirmou.

Ahmadinejad afirmou que os organizadores dos protestos “só queriam manchar o esplendor da nação iraniana”. “Ela é um sol brilhante. Eles queriam jogar um pouco de poeira no sol... Mas a poeira volta sobre seus olhos”, afirmou.

Durante os protestos da segunda-feira, os opositores egípcios manifestaram solidariedade com os levantes populares que derrubaram os governos da Tunísia e do Egito desde janeiro. Muitos cantavam “Morte aos ditadores”.

O correspondente da BBC Moshen Asgari, que acompanhou os protestos, disse que não demorou muito até que a polícia disparasse bombas de gás lacrimogêneo, enquanto homens montados em motocicletas tentavam dispersar a multidão com golpes de bastão.

Testemunhas disseram à BBC que dezenas de manifestantes foram detidos e levados em vans. O general Ahmed Reza Radan, comandante da polícia, afirmou que várias pessoas foram presas, mas não especificou quantas.

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