Manifestantes anti-Khadafi convocam 'dia de fúria' na Líbia

Manifestanes pró-governo na Líbia Direito de imagem AFP
Image caption Manifestantes pró-governo também foram às ruas na Líbia

Manifestantes na Líbia planejam realizar nesta quinta-feira uma série de manifestações de rua contra o governo do líder do país, Muamar Khadafi, inspirados pelos protestos no Egito e na Tunísia.

Os protestos estão sendo convocados pela internet, por meio de redes sociais como Facebook e Twitter. Uma página de Facebook dedicada ao protesto conclamou seus seguidores a marcar nesta quinta-feira ''um dia de fúria na Líbia''.

A Líbia está sob o controle do coronel Muamar Khadafi desde 1969, quando ele tomou o poder por meio de um golpe militar. Khadafi é, atualmente, o líder africano há mais tempo no poder.

O líder líbio diz que o regime de seu país difere do modelo ocidental de democracia e que seu país é administrado por uma série de comitês populares, mas críticos dizem que o país é um Estado policial controlado com mão de ferro.

Na quarta-feira, centenas de manifestantes e policiais se enfrentaram na cidade de Benghazi, a segunda maior do país, situada a cerca de mil quilômetros da capital, Trípoli.

Os protestos foram desencadeados pela prisão de Fathi Terbil, um advogado e notório crítico do líder líbio Muamar Khadafi que representa as famílias de vítimas do suposto massacre realizado por forças de segurança no presídio de Abu Slim, em Trípoli, em 1996.

Houve também relatos de confrontos na cidade de Beyida que teriam deixado duas pessoas mortas.

De acordo com a mídia estatal, também foram registradas manifestações pró-Khadafi em diferentes pontos do país, nos quais manifestantes entoaram slogans como ''Nós sacrificaremos nosso sangue e nossas almas por você, nosso líder'' ou ''Nós somos uma geração construída por Muamar e quem desafiá-la será destruído''.

Relatos

Segundo relatos não confirmados, forças de segurança teriam disparado contra manifestantes. Usuários de redes sociais disseram ter visto policiais disparando contra a multidão a partir de helicópteros.

Organizações de dissidentes líbios com sede no exterior afirmam que os protestos que tiveram início no começo da semana já mataram pelo menos quatro pessoas.

''Abaixo os inimigos, abaixo com os fantoches em todas as partes, os fantoches estão fracassando, as folhas de outono estão caindo. Os fantoches dos Estados Unidos, os fantoches do sionismo estão fracassando'', afirmou o líder líbio.

Em um comunicado divulgado após os confrontos de Benghazi, autoridades líbias advertiram que ''não permitirão que um grupo de pessoas brinque com a segurança da Líbia''.

O documento dizia ainda que ''os confrontos da noite passada foram realizados entre grupos de pequenas pessoas - de até 150. Alguns forasteiros se infiltraram no grupo. Eles estavam tentando corromper o processo legal que existe há muito tempo. Não permitiremos isso. Pedimos a todos os líbios que expressem suas revindicações por meio dos canais oficiais, mesmo que entre suas revindicações esteja a deposição do governo''.

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