Tensão no Oriente Médio leva petróleo à cotação mais alta em dois anos

Canal de Suez Direito de imagem AP
Image caption Investidores temem problemas na produção devido à instabilidade

A tensão em diversos países do Oriente Médio têm se refletido num aumento do preço do barril de petróleo, que nesta quinta-feira atingiu o seu nível mais alto em dois anos em Londres.

O barril do petróleo tipo Brent, negociado na capital londrina, chegou a ser negociado a US$ 104 para entrega em abril, mas depois recuou para pouco mais de US$ 103. Em Nova York, o barril do tipo West Texas Intermediate atingiu US$ 85 nas negociações pela manhã (hora local).

Investidores temem que a onda de protestos e confrontos entre manifestantes que já provocou a queda dos governos da Tunísia e do Egito possa interromper a produção de petróleo na região.

Há uma semana, o principal foco de preocupação de investidores da área do petróleo era o Egito.

Havia temores de que os protestos violentos no país poderiam interromper o suprimento de petróleo através do estratégico Canal de Suez, por meio do qual inúmeras empresas internacionais enviam as suas cargas.

Agora, a preocupação passou a ser a produção em dois importantes fornecedores, Líbia e Bahrein, onde foram registrados protestos nos últimos dias.

Crise dos anos 70

Segundo o comentarista de economia da BBC Andrew Walker, um paralelo possível de ser traçado com a crise atual é com o final da década de 70, quando a revolução islâmica eclodiu no Irã.

Na época, a interrupção de petróleo do país foi momentaneamente interrompida. Por conseguinte, os preços mundiais do petróleo subiram muito e em seguida houve uma recessão mundial.

Por enquanto, a produção e distribuição de petróleo está muito longe da situação de então.

Mas mais de 25% da produção mundial e mais de 60% das reservas conhecidas de petróleo ficam no Oriente Médio e no Norte da África, o que faz com que o mercado fique muito sensível à situação política da região.

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