Após pedido da oposição, militares deixam as ruas no Bahrein

Policiais na praça Pérola, em Manama, após retirada do Exército Direito de imagem AFP
Image caption Policiais fazem proteção das ruas após a retirada do Exército

As tropas do Exército e veículos militares que ocupavam desde a quinta-feira o centro da capital do Bahrein, Manama, foram retirados na manhã deste sábado, após a oposição exigir a retirada como pré-condição para o diálogo com a monarquia do país.

A ordem para a retirada das tropas das ruas foi dada pelo príncipe Salman Bin Hamad al- Khalifa, encarregado pelo pai, o rei Hamad Isa al-Khalifa, de iniciar um diálogo com os grupos de oposição.

Segundo o correspondente da BBC em Manama Ian Pannell, forças da polícia estão agora encarregadas de bloquear as ruas que dão acesso à praça Pérola, no centro de Manama, onde os manifestantes contra o governo se concentraram nos primeiros dias de protestos.

Na sexta-feira, pelo menos 50 pessoas ficaram feridas após militares abrirem fogo contra manifestantes que tentavam reocupar a praça Pérola, em meio aos funerais de quatro pessoas mortas na véspera durante a desocupação do local pelo Exército.

Neste sábado, membros do Wefaq, o principal grupo xiita de oposição ao governo do Bahrein, haviam rejeitado a oferta de diálogo nacional feita pelo rei Hamad e afirmaram que esperavam primeiro a renúncia do governo e a retirada das tropas do Exército das ruas de Manama.

Para a correspondente da BBC no país Caroline Hawley, a oferta de diálogo feita pela dinastia sunita pode ter sido anunciada tarde demais para acalmar os protestos.

“Para considerarmos o diálogo, o governo precisa renunciar e o Exército precisa se retirar das ruas”, afirmou Abdul Jalil Khalil Ibrahim, um dos líderes do Wefaq.

O grupo político xiita, que detém 18 das 40 cadeiras no Parlamento do Bahrein, se retirou do Legislativo em protesto contra a reação do governo aos protestos.

Onda

Os protestos no Bahrein são parte de uma onda de manifestações pró-democracia no mundo árabe e muçulmano, que já derrubou governantes na Tunísia e no Egito e se espalhou por países como Líbia, Argélia, Iêmen e Irã.

Desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1971, o Bahrein tem registrado tensões entre a elite sunita e a maioria xiita, que se diz marginalizada e reprimida.

O uso da força militar nos protestos recentes colocou a família real de Bahrein em rota direta de confronto com os xiitas, que compõem a maioria dos manifestantes.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou ao rei Hamad para pedir comedimento.

O Bahrein é um importante aliado americano no Oriente Médio e abriga uma base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

Em sua ligação, Obama afirmou que o Bahrein precisa respeitar os “direitos universais” de seu povo e promover “uma reforma significativa”.

Para a correspondente da BBC em Washington Kim Ghattas, o levante no Bahrein preocupa mais o governo americano do que os protestos no Egito, por conta da maioria xiita no país, com suas possíveis ligações com o Irã.

Os Estados Unidos temem uma crescente influência regional do Irã e vê reinos governados pelos sunitas como o Bahrein e a Arábia Saudita como um contrapeso importante à influência iraniana.

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