Manifestantes voltam a ocupar praça no Bahrein

Manifestantes comemoram após voltarem à praça Pérola Direito de imagem Reuters
Image caption Praça Pérola tem sido o principal ponto de concentração dos protestos

Milhares de manifestantes voltaram a ocupar na tarde deste sábado a praça Pérola, no centro da capital do Bahrein, Manama, para protestar contra o governo do país.

A praça, que vinha sendo o principal foco de protestos contra o governo do Bahrein ao longo da semana, havia sido desocupada pelo Exército com violência na quinta-feira pela manhã.

Na sexta-feira, pelo menos 50 pessoas ficaram feridas após militares terem disparado contra grupos que tentavam voltar ao local.

A volta dos manifestantes neste sábado ocorreu após o príncipe herdeiro do país, Salman Bin Hamad al-Khalifa, ter ordenado a retirada do Exército das ruas de Manama e sua substituição por forças policiais.

A retirada do Exército era uma das exigências feitas pela oposição para aceitar a oferta de diálogo apresentada na sexta-feira pelo rei Hamad Isa al-Khalifa.

A retomada da praça neste sábado ocorreu apesar de a polícia ter tentado conter os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha antes de se retirar do local. Segundo alguns relatos, cerca de 60 pessoas ficaram feridas.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia telefonado ao rei Hamad na sexta-feira para pedir comedimento. Obama afirmou que o Bahrein precisa respeitar os “direitos universais” de seu povo e promover “uma reforma significativa”.

O Bahrein é um dos principais aliados dos Estados Unidos na região e abriga uma base naval americana.

Reunião

Segundo alguns relatos ouvidos pela BBC, o príncipe Salman estaria reunido neste sábado com alguns grupos de oposição, incluindo grupos ligados à maioria xiita.

Pela manhã, líderes do grupo xiita opositor Wefaq haviam rejeitado a oferta de diálogo e pediram a retirada dos militares das ruas e a renúncia do atual governo como condição para negociar com a monarquia sunita.

O Bahrein é um dos vários países árabes e muçulmanos a enfrentar protestos pró-democracia desde a queda do presidente da Tunísia, Zine El Abjdine Ben Ali, em janeiro.

Desde então, os protestos já levaram também à renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak, no dia 11 de fevereiro.

Tensões

Desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1971, o Bahrein tem registrado tensões entre a elite sunita e a maioria xiita, que se diz marginalizada e reprimida.

O uso da força militar nos protestos recentes colocou a família real de Bahrein em rota direta de confronto com os xiitas, que compõem a maioria dos manifestantes.

Para a correspondente da BBC em Washington Kim Ghattas, o levante no Bahrein preocupa mais o governo americano do que os protestos no Egito, por conta da maioria xiita no país, com suas possíveis ligações com o Irã.

Os Estados Unidos temem uma crescente influência regional do Irã e vê reinos governados pelos sunitas como o Bahrein e a Arábia Saudita como um contrapeso importante à influência iraniana.

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