Tensão no Bahrein força cancelamento de corrida de Fórmula 1

Trabalhadores perto de cartaz que anuncia o GP de Bahrein, cancelado nesta segunda Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Evento cancelado abriria a temporada 2011 da F1

O Grande Prêmio do Bahrein, evento que abre a temporada de corridas da Fórmula 1, foi cancelado por causa dos distúrbios no país, anunciou nesta segunda-feira o príncipe herdeiro do país.

O GP do Bahrein estava marcado para 11 a 13 de março, mas desde a semana passada havia dúvidas quanto à sua viabilidade.

“Temos que manter o foco nos temas imediatos de interesse nacional e deixar (o GP) para uma data futura”, disse o príncipe, Salman Bin Hamad Al-Khalifa. “Após os eventos da semana passada, a prioridade da nação é superar a tragédia, curar as divisões e redescobrir o tecido que une o país.”

Na semana passada, seis pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas após as forças de segurança terem dispersado manifestantes com violência.

Nesta segunda-feira, centenas de pessoas voltaram a se reunir na Praça da Pérola, na capital, Manama, no nono dia consecutivo de manifestações antigoverno.

Reformas

Com o anúncio desta segunda-feira, a temporada da Fórmula 1 deve começar com o GP da Austrália, em 27 de março. Não está claro se o GP de Bahrein será remarcado.

Bahrein é sede do GP inicial da temporada da F1 desde 2004. “É triste que o país tenha que deixar a corrida, desejamos bem à nação”, disse Bernie Ecclestone, chefe da F1.

A família real de Bahrein pertence à minoria sunita do país, enquanto a maioria dos manifestantes contra o governo pertence à maioria xiita, que se diz marginalizada e reprimida.

Apesar disso, muitos manifestantes têm sido cautelosos ao descrever a revolta popular como não-sectária, cantando slogans como: “Não há sunitas ou xiitas, apenas a unidade bairenita”.

O Bahrein é um dos vários países árabes ou muçulmanos que vêm enfrentando manifestações pró-democracia desde que a queda do presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro.

Desde então, protestos populares também forçaram a saída do presidente do Egito, Hosni Mubarak, no dia 11 de fevereiro. Protestos populares também já foram registrados em países como Irã, Iêmen, Líbia e Argélia.

Notícias relacionadas