EUA dizem que Líbia deve pôr fim a ‘derramamento de sangue inaceitável’

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Image caption Manifestações na capital Trípoli já duram dois dias

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, condenou nesta segunda-feira a violência contra manifestantes na Líbia e disse que o governo líbio deve pôr fim imediatamente o que chamou de “derramamento de sangue inaceitável”.

“O mundo está assistindo alarmado à situação na Líbia. Nós nos unimos à comunidade internacional ao condenar fortemente a violência na Líbia”, disse Hillary em um comunicado.

“Agora é o momento de interromper esse derramamento de sangue inaceitável”, afirmou.

Há relatos de que forças de segurança abriram fogo contra manifestantes na Líbia, em protestos contra o governo do coronel Muamar Khadafi.

Segundo fontes médicas e organizações de defesa de direitos humanos, mais de 200 pessoas já morreram desde o início da semana passada.

Na nota, a secretária americana diz que o governo da Líbia tem a responsabilidade de respeitar os direitos universais de seu povo, incluindo o direito de livre expressão.

“Nós estamos trabalhando urgentemente com amigos e parceiros ao redor do mundo para enviar essa mensagem ao governo líbio”, disse.

Hillary também manifestou solidariedade com as famílias das vítimas da violência.

Diplomatas

Nesta segunda-feira, membros da delegação da Líbia na ONU pediram uma intervenção para interromper a violência do governo contra manifestantes.

O vice-embaixador da Líbia na ONU, Omar Al-Dabbashi, disse que o povo líbio deve ser protegido do que chamou de “genocídio” por parte do governo.

Os diplomatas líbios também pediram que a ONU interditasse o espaço aéreo sobre a capital da Líbia, Trípoli, onde há relatos de que aviões de combate estariam disparando contra manifestantes.

A capital da Líbia enfrenta sua segunda noite consecutiva de choques entre manifestantes e forças de segurança.

Em meio à reação violenta do governo aos protestos, outros diplomatas líbios abandonaram seus cargos nesta segunda-feira.

O embaixador líbio em Washington, Ali Aujali, principal diplomata da Líbia nos Estados Unidos, disse que não pode mais representar seu país e que o uso da força contra “pessoas inocentes” é “inaceitável”.

“Eu trabalho para o serviço exterior por 40 anos, mas não posso encerrar minha carreira representando um governo que está matando seu próprio povo de uma maneira tão selvagem”, disse Aujali.

Os embaixadores líbios na Índia, na China e na Liga Árabe também deixaram seus cargos em protesto contra o uso da violência. Há relatos de que o ministro da Justiça, Mustafa Abdal Khalil, também teria renunciado.

Venezuela

Ao longo do dia surgiram especulações sobre o destino de Khadafi, há 42 anos no poder.

O chanceler britânico, William Hague, citou supostas informações de que o coronel estaria a caminho da Venezuela, o que foi negado pelo governo venezuelano.

As manifestações contra o governo de Khadafi ganharam força na semana passada e fazem parte de uma onda de levantes populares em diversos países árabes e muçulmanos.

Há relatos de que Benghazi, a segunda maior cidade da Líbia, já está em poder dos manifestantes.

Em um comunicado na TV líbia, um comitê de defesa interino pediu ajuda da população para identificar as “gangues terroristas” responsáveis pelos protestos.

Segundo a TV estatal líbia, o filho de Khadafi, Saif Al-Islam, ordenou a criação de um comitê de investigação para apurar as circunstâncias das mortes ocorridas durantes os protestos.

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