Universitários anti-Chávez fazem acordo e abandonam greve de fome

Foto: Claudia Jardim Direito de imagem Claudia Jardim
Image caption Manifestantes exigiam revisão de casos de presos políticos

Estudantes universitários anti-Chávez que estavam em greve de fome havia 23 dias na Venezuela fizeram um acordo com o governo e decidiram nesta terça-feira encerrar o protesto.

De acordo com organizações estudantis de oposição, até esta terça-feira 83 estudantes participavam do protesto em oito Estados do país. Os principais focos de concentração em Caracas eram em frente à sede da Organização de Estados Americanos (OEA) e à embaixada brasileira, onde cinco estudantes protestavam.

Julio César Rivas, um dos estudantes que estava acampados em frente à sede da OEA, disse que o governo se comprometeu a atender seus pedidos e rever o caso de três supostos presos políticos.

Quando a greve começou, os estudantes exigiam que o governo autorizasse a entrada da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA para avaliar supostas violações de direitos humanos no país.

Dias antes, o ministro de Interior e Justiça conversou com os estudantes e pediu que o assunto fosse tratado internamente.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, também rejeitou a intervenção da OEA para tratar o caso e disse que os universitários não podiam pedir que "pessoas que cometeram crimes" fossem libertadas.

Pressão

"Ganhamos a primeira batalha, mas a guerra continua", disse o estudante Dalmiro González, que estava fazendo greve de fome em frente à embaixada do Brasil.

O protesto na sede diplomática brasileira durou cinco dias e pretendia chamar a atenção da presidente Dilma Rousseff e exigir pressão do Brasil sobre o governo venezuelano.

Para o embaixador da Venezuela em Brasília, Maximilien Arvelaiz, a greve de fome universitária foi manipulada por partidos políticos que, na sua opinião, não veem a via institucional como caminho para atuação política.

"Como na Assembleia Nacional, eles (a oposição) têm mostrado que não são capazes de promover seus interesses políticos e utilizam esses jovens para promover focos de desestabilização", disse Arvelaiz à BBC Brasil.

Segundo os universitários, a partir de quinta-feira, será criada uma mesa de trabalho entre os jovens e representantes do governo.

Eles devem avaliar o caso de um deputado de oposição preso antes de ser eleito e da situação do presídio onde estão os policiais sentenciados pelos assassinatos que ocorreram na capital venezuelana durante o golpe de Estado de abril de 2002.

Pouco antes da greve de fome ser suspensa, estudantes ligados ao partido do governo, PSUV, fizeram um churrasco em frente ao acampamento dos grevistas "para convidá-los a almoçar e dialogar sobre a lei universitária".

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