Pressionado, Khadafi luta pelo controle do oeste da Líbia

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Image caption Pessoas aguardam do lado de fora do aeroporto de Trípoli

O líder líbio Muamar Khadafi está tentando manter o controle na capital, Trípoli, e em áreas no oeste da Líbia, à medida que manifestantes consolidam posições no leste e estrangeiros fogem do país.

A maior parte da capital está deserta, com forças aliadas a Khadafi patrulhando as ruas. Mas houve relatos de distúrbios em cidades no oeste, como Misurata, Sabratha e Zawiya.

No leste, manifestantes celebram a tomada de controle em várias cidades. Enquanto isso, milhares de estrangeiros continuam a fugir, e há caos no aeroporto de Trípoli.

Ao menos 300 pessoas morreram na Líbia em conflitos entre manifestantes contrários a Khadafi, há mais de 40 anos no poder, e forças leais ao líder líbio.

Trípoli

Uma testemunha em Trípoli afirmou que muitos moradores esperam que manifestantes e soldados desertores cheguem do leste do país para ajudá-los.

O governo enviou uma mensagem de texto convocando funcionários e outros trabalhadores às suas atividades, mas muitas pessoas têm medo de sair à rua.

Um morador de Trípoli disse: “Espero que os moradores não compareçam ao trabalho – esta pode ser uma forma de protesto pacífico. Ficaremos todos em casa por período indefinido”.

Houve relatos de um ataque a uma fila de pessoas numa padaria no distrito de Fashloum, onde houve forte repressão militar, com três mortos.

Ainda segundo relatos, dois navios de guerra foram posicionados em frente à cidade. Um morador disse à BBC que médicos viram homens armados atirando em pessoas em hospitais.

Cidades controladas

O repórter da BBC Paul Danahar, que está do lado tunisiano da fronteira com a Líbia, diz que relatos não confirmados indicam que várias cidades entre a divisa e Trípoli foram dominadas por forças contrárias ao governo, mas que as estradas da região continuam controladas por forças leais a Khadafi.

Segundo o site noticioso Quryna, soldados foram enviados a Sabratha, no oeste, após manifestantes incendiarem prédios governamentais.

Outros relatos dão conta de que manifestantes assumiram o controle de Misurata, cidade a 200 km ao leste de Trípoli, após dias de confrontos.

Manifestantes controlam também as cidades entre a fronteira egípcia e Ajdabiya, a 800 km ao leste de Trípoli.

O site Quryna diz que um avião de combate líbio caiu próximo a Ajdabiya após dois pilotos se recusarem a bombardear Benghazi, cidade onde se iniciaram os confrontos na Líbia, e se ejetarem.

Moradores e militares desertores criaram vários comitês de defesa, inclusive um que protege bases de mísseis nos arredores de Tobruk, no leste.

Em um discurso transmitido pela TV estatal na terça-feira, Khadafi descartou a possibilidade de renúncia e disse que morrerá no país "como um mártir".

Ele afirmou ainda que “covardes e traidores” estavam tentando mergulhar o país no caos e alertou que, se fosse necessário, usaria a força, mas de acordo com a lei internacional.

Debandada

Enquanto os confrontos se acirram, estrangeiros tentam deixar a Líbia. Governos de vários países estão enviando balsas, aviões e navios para resgatar seus cidadãos.

Na terça-feira, cinco brasileiros foram retirados do país norte-africano em um avião da Força Aérea portuguesa. Já o Itamaraty informa que negocia o resgate, entre quinta e sexta-feira, de 183 brasileiros que estão em Benghazi.

A retirada será feita por um navio contratado pela construtora Queiroz Galvão. O destino da embarcação deve ser a Grécia ou Malta.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, há entre 500 e 600 brasileiros na Líbia, a maioria residentes. Todos estão bem, de acordo com o Itamaraty.

Nesta quarta-feira, duas balsas da Turquia conseguiram retirar cerca de 3 mil de seus cidadãos de Benghazi, onde vive um grande número de turcos que trabalham para empresas de construção. As embarcações contaram com a escolta de uma fragata.

Holanda, França, Itália e Grécia estão organizando voos de evacuação, mas alguns deles ainda não receberam autorização para pouso. A Grã-Bretanha está planejando fretar um avião para seus cidadãos, além de posicionar um navio de guerra próximo à costa da Líbia.

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