Chefe da ONU pede ação decisiva para lidar com crise na Líbia

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O secretário-geral da ONU, Ban ki-moon, fez um apelo nesta sexta-feira para que o Conselho de Segurança tome “ações concretas e decisivas” para lidar com a crise na Líbia.

Segundo Ban, mais de mil pessoas já morreram em confrontos entre opositores e partidários do regime do coronel Muamar Khadafi, o que é motivo de “grave preocupação”.

“É hora de o Conselho de Segurança considerar ação concreta”, disse Ban, diante dos 15 membros do Conselho, em Nova York.

“As horas e os dias adiante serão decisivos para o líbios e seu país, com as igualmente importante implicações para a região. A declaração e as ações do Conselho de Segurança são aguardadas avidamente e serão seguidas de perto em toda a região”, afirmou.

A União Europeia e os Estados Unidos já anunciaram que pretendem impor sanções contra a Líbia para interromper a violência.

Reunião

O Conselho de Segurança adiou para uma decisão sobre a crise na Líbia. Assim, a reunião entre os 15 países-membros, iniciada nesta sexta-feira em Nova York, será retomada às 11h de sábado.

Segundo a embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, que ocupa a presidência rotativa do Conselho neste mês, os países-membros continuam “gravemente preocupados” com a situação na Líbia.

Os membros do Conselho deverão analisar uma proposta de resolução elaborada pela França e pela Grã-Bretanha e circulada nesta sexta-feira que pede acusações de “crimes contra a humanidade” contra o governo da Líbia.

O texto pede também um embargo de armas contra a Líbia e a proibição de viagens e o congelamento de bens dos principais líderes do país.

“Há um sentido de urgência em relação às deliberações do Conselho”, disse a embaixadora brasileira. “Há um sentido também da necessidade de enviar uma mensagem firme, forte e unificada com o objetivo de interromper a violência.”

Violência

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Image caption "Vocês são livres para dançar, cantar e celebrar", disse o coronel

Não se sabe ao certo o número de pessoas que já morreram em confrontos entre manifestantes de oposição e forças leais ao governo. Há vários relatos de que forças de segurança estariam atirando contra manifestantes.

Nesta sexta-feira o Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou a suspensão da Líbia do órgão e autorizou uma investigação internacional sobre a violência no país.

Testemunhas na capital afirmam que forças de segurança leais ao regime abriram fogo contra manifestantes que se reuniam para as tradicionais orações de sexta-feira, matando pelo menos uma pessoa.

À tarde, Khadafi, disse a um grupo de simpatizantes no centro de Trípoli que seguirá lutando contra os opositores de seu regime.

"Preparem-se para defender a Líbia. Preparem-se para defender o petróleo, preparem-se para defender a dignidade", disse Khadafi, em imagens transmitidas pela TV estatal.

Mandando beijos para as pessoas e de punhos cerrados, Khadafi afirmou: "Vocês devem dançar, cantar... este espírito é mais forte do que qualquer tentativa de estrangeiros de nos destruir".

Embora seu regime tenha perdido controle sobre a maior parte do país desde o início dos protestos, Khadafi disse: "Podemos vencer o inimigo".

"Muamar Khadafi está no meio de vocês. Fico no meio do povo e, se vocês quiserem, devemos combatê-los e matá-los", disse, sobre seus opositores.

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