Conselho de Direitos Humanos da ONU recomenda suspensão da Líbia

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Image caption Navi Pillay durante a reunião desta sexta-feira em Genebra

O Conselho de Direitos Humanos da ONU recomendou a suspensão da Líbia do órgão e autorizou uma investigação internacional a respeito da violência no país.

O objetivo da investigação será processar os responsáveis pela violência que vem atingindo o país nos últimos dias.

A Federação Internacional de Direitos Humanos crê que pelo menos 700 pessoas podem ter morrido desde o início dos confrontos no país. Já um médico francês em Benghazi, Gerrard Buffet, disse à BBC que os combates podem ter matado até 2 mil pessoas só no leste do país.

A reunião desta sexta-feira em Genebra para discutir os desdobramentos da crise líbia foi a primeira em que o órgão discute a possível adoção de ações contra um de seus membros.

Para que tenha efeito, a suspensão deve ser aprovada por dois terços dos 192 países da Assembleia Geral da ONU.

A comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, disse, durante a reunião, que a prioridade é a segurança da população civil da Líbia.

"Espero que o Conselho de Direitos Humanos tome medidas nesta questão imediata que é a segurança dos líbios, que enfrentam riscos de vida, que enfrentam o derramamento de sangue. Então, toda medida internacional possível deve ser tomada para a proteção de civis", disse.

Mãos dadas

Já a embaixador da Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, disse que o respeito pela liberdade de expressão é um valor para qual o Conselho não vai fechar os olhos.

“O Brasil não vai tolerar qualquer forma de violação de direitos humanos. O uso da força contra manifestantes pacíficos foi absolutamente inaceitável.”

Ela também afirmou ainda que o país está preocupado com os trabalhadores brasileiros na Líbia. “Fizemos um apelo às autoridades líbias para garantir a segurança e a livre circulação de estrangeiros e para facilitar a saída dos que desejam deixar o país”

“Nenhum governo deveria se manter por meio da força, da violência ou da punição de dissidentes. A paz e o desenvolvimento, assim como os direitos humanos e o desenvolvimento, andam de mãos juntas.”

Mensagem clara

Segundo a correspondente da BBC em Genebra Imogen Foulkes, o Conselho de Direitos Humanos da ONU divulgou uma mensagem clara e forte para o governo da Líbia: permitir a entrada da ONU e de agências de ajuda e cooperar com as investigação internacional para levar à Justiça os responsáveis pelo desrespeito aos direitos humanos no país.

A suspensão da Líbia do Conselho de Direitos Humanos da ONU foi recomendada por unanimidade pelos países membros do órgão pois, de acordo com os representantes presentes na reunião, um governo que viola os direitos de seus cidadãos não pode continuar como membro votante do mais importante órgão de defesa dos direitos humanos no mundo.

Foulkes também afirma que o isolamento do líder líbio Muamar Khadafi ficou ainda mais óbvio nesta sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Diplomatas líbios entraram no salão onde estava ocorrendo a reunião em Genebra, condenaram a violência no país e afirmaram que eles agora representam apenas o povo líbio.

"Confirmo a vocês que nós, na missão líbia, decidimos ser representantes do povo líbio e de sua vontade. Não vamos representar mais ninguém. Seremos a voz deste povo heróico neste conselho e em todas as assembleias nacionais", disse Abel Shaltut, diplomata líbio no órgão da ONU.

Ainda nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir para discutir a situação na Líbia.

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