Oposicionistas tomam cidade líbia próxima da capital

Egípcios deixam a Líbia, 27/02/AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Dezenas de milhares de egípcios seguem deixando a Líbia

Forças oposicionistas líbias conquistaram a cidade de Zawiya, a cerca de 50 km da capital do país, Trípoli.

O governo da Líbia levou jornalistas para Zawiya na manhã de domingo, mas ao invés de ver o regime de Muamar Khadafi controlando a cidade, a imprensa testemunhou oposicionistas armados montando barricadas no centro da cidade e hasteando bandeiras.

O editor da BBC para o Oriente Médio Jeremy Bowen, presente na excursão organizada pelo governo, disse que o centro da cidade e suas imediações parecem estar sendo controlados por oposicionistas.

Muitos oposicionistas disparavam tiros para o alto, afirmando estar realizando manifestações pacíficas, embora ressaltando que estavam também prontos para lutar.

Forças leais a Khadafi cercaram Zawiya, que foi palco de duras batalhas na semana passada.

Moradores locais afirmaram à BBC que forças pró-Khadafi nas imediações da cidade têm realizado várias tentativas de chegar ao centro, desde o dia 17 de fevereiro.

Em discurso televisionado na última quinta-feira, Khadafi dirigiu-se a população da cidade, afirmando que os jovens estavam recebendo álcool e drogas para participar de “destruição e sabotagem”.

Sanções

Na noite de sábado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade sanções contra o regime de Khadafi, pela violência com que vem lidando com os protestos contra seu governo.

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Image caption Todos os 15 países do órgão aprovaram as sanções

O órgão aprovou um embargo à venda de armas, o congelamento de bens e apresentará denúncia contra Khadafi no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.

O presidente americano, Barack Obama, disse que o líder líbio deve deixar o cargo e o país imediatamente.

Khadafi controla ainda a capital, Trípoli, mas o leste do país está na mão dos opositores de seu regime.

Pós-Khadafi

Há relatos de que já começaram as discussões sobre a formação de um governo de transição em um cenário pós-Khadafi.

Mustafa Abdel-Jalil, que se demitiu do posto de ministro da Justiça em protesto contra a violência usada para lidar com os protestos, disse que um grupo formado por lideranças civis e militares se prepararia para eleições dentro de três meses, de acordo com o jornal privado líbio Qurya.

Os EUA teriam manifestado apoio ao plano, discutido na cidade de Benghazi.

A ONU calcula que mais de mil pessoas foram mortas nos últimos 10 dias em tentativas do regime de Khadafi de reprimir o levante.

A votação foi a segunda vez que o Conselho de Segurança decidiu levar um país ao Tribunal Penal Internacional e a primeira vez que isso ocorre por unanimidade.

Em 2005, o órgão denunciou a situação em Darfur, no Sudão, mas Brasil, Argélia, China e Estados Unidos se abstiveram.

Contradição

Após a votação, o enviado da Líbia para o Conselho de Segurança disse que as sanções dariam “apoio moral” aos opositores do regime.

Os EUA já impuseram sanções unilaterais ao governo Khadafi e fechou sua embaixada no país. A Austrália também disse que imporá sanções a 22 integrantes do círculo do líder líbio.

No sábado, o filho de Khadafi Saif al-Islam disse que a vida segue normalmente em três quartos do país. Mas opositores do regime dizem que controlam 80% do país.

“A paz está retornando ao nosso país”, disse ele. Acredita-se que Khadafi controle a maior parte de Trípoli, lar de dois milhões dos 6,5 milhões de habitantes da Líbia.

A oposição controla a cidade de Bhengazi e há relatos de confrontos nas cidade de Misrata e Zawiya, no oeste do país.

Milhares de estrangeiros, a maioria empregados da indústria de petróleo, continuam a ser evacuados por ar, terra e pelo mar. Todos os brasileiros já deixaram o país, segundo o Itamaraty.

Correspondentes dizem que milhares de pessoas se encontram no aeroporto de Trípoli tentando embarcar e outras dezenas de milhares tentam cruzar as fronteiras terrestres.

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