Oriente médio

Líbia é suspensa do Conselho de Direitos Humanos das ONU

Refugiados na fronteira entre Tunísia e Líbia

Violência na Líbia está gerando fluxo intenso de refugiados

A Assembleia-Geral da ONU, reunida em Nova York, suspendeu nesta terça-feira a Líbia do Conselho de Direitos Humanos da entidade.

Os membros da assembleia aprovaram a medida por consenso em uma resolução que acusa o regime do líder líbio Muamar Khadafi de estar cometendo violações “sistemáticas” dos direitos humanos ao reprimir oposicionistas.

O secretário-geral da ONU disse que a decisão envia uma mensagem “forte e importante” e com “grandes consequências para a região (do Oriente Médio)”.

Segundo ele, com a decisão, a ONU está indicando que “não há impunidade, que aqueles que cometem crimes contra a humanidade serão punidos, que os princípios fundamentais da justiça e da responsabilidades pelos seus próprios atos deve prevalecer”.

A correspondente da BBC na ONU Barbara Plett, disse que a resolução sela o isolamento da Líbia na comunidade internacional, já que a Líbia foi suspensa do Conselho com o apoio de todos os outros Estados-membros da ONU.

Pressão

Governos ocidentais vêm aumentando a pressão para que Khadafi, no poder desde 1969, abandone o governo.

O Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e a União Europeia já anunciaram sanções contra o regime de Khadafi, incluindo o congelamento de bens e embargo à venda de armas.

O comando militar americano anunciou que está deslocando forças navais e aéreas aos arredores da Líbia para, segundo o Pentágono, “proporcionar opções e flexibilidade”.

Calcula-se que mais de mil pessoas tenham morridos desde o início dos protestos contra o regime de Khadafi, em 20 de fevereiro.

Oposicionistas já dominam boa parte do leste do país, incluindo cidades importantes como Benghazi, a segunda mais populosa da Líbia.

Refugiados

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Também nesta terça-feira, a ONU afirmou que a situação na fronteira da Líbia com a Tunísia atingiu um ponto crítico, com dezenas de milhares de estrangeiros tentando deixar o país.

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, disse que entre 70 mil e 75 mil pessoas fugiram para a Tunísia desde que o conflito na Líbia começou.

Clique Leia mais na BBC Brasil - ONU: Crise de refugiados na fronteira líbia atinge 'ponto crítico'

A temperatura caiu drasticamente durante a madrugada na região da fronteira entre Líbia e Egito, e o correspondente da BBC na região Jim Muir disse ter visto o corpo de um jovem egípcio, que teria morrido de frio.

Comida está sendo distribuída no local, mas os esforços de ajuda humanitária não são suficientes para lidar com a situação, afirma Muir. Segundo ele, a situação de saneamento na fronteira é "um desastre", e há várias pessoas dormindo em estradas e estacionamentos.

Campos de triagem temporários estão sendo construídos de improviso ao longo da estrada, enquanto autoridades tentam alugar aviões e barcos para repatriar os refugiados.

Um refugiado disse à BBC que fugiu da cidade de Benghazi - agora nas mãos de rebeldes - devido a ameaças de simpatizantes da oposição, que pensaram que ele fosse um mercenário contratado pelo líder líbio, Muamar Khadafi.

"Eles não costumam ver negros em Benghazi", disse ele, que é negro. "Eles dizem que o presidente (Khadafi) levou alguns negros para lutarem contra os líbios, então eles decidiram que se há um negro, ele precisa ser perseguido", afirmou.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) anunciou nesta terça-feira uma ampliação dos esforços para transportar milhares de pessoas que estão tentando deixar o país nas fronteiras com a Tunísia e também com o Egito.

Clique Leia: Organização internacional amplia evacuação de refugiados da Líbia

Entrevista

O líder líbio Muamar Khadafi disse em entrevista à BBC que é amado por seu povo e negou que existam protestos em Trípoli. A entrevista - concedida aos repórteres Jeremy Bowen, da BBC, e Cristiane Amanpour, da ABC, e ao jornal Sunday Times - foi a primeira do líder líbio à imprensa ocidental desde que começou a crise.

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Khadafi, que está há 41 anos no poder, está sob intensa pressão de opositores, que controlam várias cidades do leste do país.

Testemunhas afirmaram que forças pró-Khadafi tentaram retomar o controle das cidades de Zawiya, Misrata e Nalut, no oeste do país, mas foram repelidas por rebeldes - ajudados por forças dissidentes de unidades do Exército líbio.

Rebeldes afirmam que mataram oito milicianos pró-Khadafi, mas que não houve qualquer baixa entre os opositores. O governo não se pronuncia sobre número de mortos ou feridos.

Em Zawiya, moradores e manifestantes temem que o governo ordene ataques aéreos. Em Gasr bin Ghashir, um distrito de Trípoli, um grupo de cem homens gritava slogans pro Khadafi, carregando imagens do coronel.

"Estamos prontos para sacrificar nossas almas e nosso sangue por nosso líder", diziam eles. A manifestação ocorreu perto de uma instalação criada pelo governo para que a imprensa visse um comboio médico partir para Benghazi. Havia 18 caminhões que estariam partindo para entregar comida, cobertores e medicamentos.

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