Oriente médio

Forças pró e contra Kadhafi disputam cidade petrolífera na Líbia

Combates entre forças pró e contra o líder líbio, coronel Muamar Khadafi, ocorrem nesta quarta-feira na cidade de Brega, no leste do país, onde fica localizada uma refinaria de petróleo.

Segundo a televisão estatal líbia, forças governistas assumiram o controle do aeroporto e do porto de Brega. Já os integrantes da oposição alegam ter repelido um ataque e dizem controlar o centro da cidade.

Na cidade de Ajdabiya, distante 70 km de Brega, o correspondente da BBC John Simpson diz que o clima é de tensão. A população espera para qualquer momento um ataque das forças leais a Kadhafi na cidade, que é controlada pelos opositores.

O correspondente da BBC diz, no entanto, que uma ofensiva na cidade não parece ser iminente, devido aos combates que ainda ocorrem em Brega.

AFP

Forças da oposição em Ajdabiya aguardam ataque a qualquer momento

Simpson diz que dois ataques aéreos realizados por um piloto pró-Kadhafi foram realizados na manhã desta quarta-feira em um depósito de armas localizado nos arredores de Ajdabiya. Nenhum dano sério teria sido causado pela ação.

Apelo da ONU

A ONU fez um apelo por uma retirada em massa de pessoas que estão tentando cruzar a fronteira entre a Líbia e a Tunísia, alegando que a situação na região atingiu "um ponto crítico".

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que milhares de vidas estão em risco.

A Tunísia já teria recebido 75 mil pessoas vindas da Líbia desde o início da crise no país vizinho, e outras 40 mil pessoas ainda estariam esperando para atravessar a fronteira.

Estrangeiros

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados e a Organização Internacional para a Migração pediram que os governos realizem "uma evacuação em massa de dezenas de milhares de egípcios e outros cidadãos estrangeiros" e forneçam "um grande apoio financeiro e logístico, incluindo aviões, barcos e pessoal especializado".

Trabalhadores vietnamitas, indianos, turcos, tunisianos, chineses e tailandeses fazem parte do grupo preso na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, muitos deles em um completo estado de exaustão.

Na terça-feira, guardas tunisianos tiveram de atirar para o alto em uma tentativa de controlar a multidão.

"Precisamos de ações concretas para providenciar assistência humanitária e médica. O tempo é precioso. Milhares de vidas estão em risco", disse Ban Ki-Moon.

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Conselho de Segurança

A Assembleia-Geral da ONU, reunida em Nova York, suspendeu na terça-feira a Líbia do Conselho de Direitos Humanos da entidade.

Os membros da assembleia aprovaram a medida por consenso em uma resolução que acusa o regime do líder líbio Muamar Khadafi de estar cometendo violações “sistemáticas” dos direitos humanos ao reprimir oposicionistas.

O secretário-geral da ONU disse que a decisão envia uma mensagem “forte e importante” e com “grandes consequências para a região (do Oriente Médio)”.

Segundo ele, com a decisão, a ONU está indicando que “não há impunidade, que aqueles que cometem crimes contra a humanidade serão punidos, que os princípios fundamentais da justiça e da responsabilidades pelos seus próprios atos deve prevalecer”.

A correspondente da BBC na ONU Barbara Plett, disse que a resolução sela o isolamento da Líbia na comunidade internacional, já que a Líbia foi suspensa do Conselho com o apoio de todos os outros Estados-membros da ONU.

Pressão

Governos ocidentais vêm aumentando a pressão para que Khadafi, no poder desde 1969, abandone o governo.

O Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e a União Europeia já anunciaram sanções contra o regime de Khadafi, incluindo o congelamento de bens e embargo à venda de armas.

O comando militar americano anunciou que está deslocando forças navais e aéreas aos arredores da Líbia para, segundo o Pentágono, “proporcionar opções e flexibilidade”.

Calcula-se que mais de mil pessoas tenham morridos desde o início dos protestos contra o regime de Khadafi, em 20 de fevereiro.

Oposicionistas já dominam boa parte do leste do país, incluindo cidades importantes como Benghazi, a segunda mais populosa da Líbia.

Clique Leia: Organização internacional amplia evacuação de refugiados da Líbia

Entrevista

O líder líbio Muamar Khadafi disse em entrevista à BBC que é amado por seu povo e negou que existam protestos em Trípoli. A entrevista - concedida aos repórteres Jeremy Bowen, da BBC, e Cristiane Amanpour, da ABC, e ao jornal Sunday Times - foi a primeira do líder líbio à imprensa ocidental desde que começou a crise.

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Khadafi, que está há 41 anos no poder, está sob intensa pressão de opositores, que controlam várias cidades do leste do país.

Testemunhas afirmaram que forças pró-Khadafi tentaram retomar o controle das cidades de Zawiya, Misrata e Nalut, no oeste do país, mas foram repelidas por rebeldes - ajudados por forças dissidentes de unidades do Exército líbio.

Rebeldes afirmam que mataram oito milicianos pró-Khadafi, mas que não houve qualquer baixa entre os opositores. O governo não se pronuncia sobre número de mortos ou feridos.

Em Zawiya, moradores e manifestantes temem que o governo ordene ataques aéreos. Em Gasr bin Ghashir, um distrito de Trípoli, um grupo de cem homens gritava slogans pro Khadafi, carregando imagens do coronel.

"Estamos prontos para sacrificar nossas almas e nosso sangue por nosso líder", diziam eles. A manifestação ocorreu perto de uma instalação criada pelo governo para que a imprensa visse um comboio médico partir para Benghazi. Havia 18 caminhões que estariam partindo para entregar comida, cobertores e medicamentos.

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