Ligado a Mubarak, primeiro-ministro do Egito renuncia ao cargo

Ahmed Shafiq (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Shafiq foi apontado dias antes da renúncia de Mubarak

O primeiro-ministro do Egito, Ahmed Shafiq, renunciou nesta quinta-feira ao cargo, informou o Conselho Supremo das Forças Armadas, que governa o país.

Shafiq havia sido indicado para o cargo pelo ex-presidente Hosni Mubarak dias antes do líder renunciar ao cargo no dia 11 de fevereiro, após 18 dias de protestos que pediam mudanças no regime.

De acordo com analistas, os manifestantes viam Shafiq como um aliado próximo de Mubarak. E uma das principais exigências dos manifestantes era que Shafiq e outros ministros designados no final do mandato de Mubarak renunciassem a seus cargos.

O Conselho militar pediu que o ex-ministro dos Transportes Essam Sharaf assuma o cargo e forme um novo governo provisório.

Crítico de Mubarak

Segundo o correspondente da BBC no Cairo Alastair Leithead, a indicação de Essam Sharaf para ser primeiro-ministro é significativa, pois ele se pronunciou a favor das manifestações que levaram à renúncia de Mubarak e participou dos protestos.

Leithead afirma que a saída do premiê foi um grande passo para agradar aos manifestantes que acamparam na Praça Tahrir, no Cairo, durante os 18 dias de protestos.

Sharaf foi um opositor do governo Mubarak desde que renunciou ao cargo de ministro dos Transportes, há cinco anos.

O Conselho Supremo das Forças Armadas, que está governando o país desde a renúncia de Mubarak, tinha dado ordens para que o governo interino permanecesse no poder durante seis meses ou até o fim das eleições parlamentares e presidenciais. O Conselho também está conduzindo reformas constitucionais.

Na segunda-feira, a Justiça do Egito proibiu que Mubarak e sua família deixem o país.

O ex-presidente não tem sido visto publicamente desde a renúncia. Acredita-se que se encontre no balneário de Sharm el-Sheikh, mas há rumores de que sua saúde está debilitada.

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