Venezuela diz que Líbia aceita mediação; plano enfrenta resistência

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Image caption Chávez propôs a mediação de uma comissão internacional na Líbia

O governo da Venezuela disse nesta quinta-feira que o líder líbio Muamar Khadafi aceitou a proposta do presidente venezuelano Hugo Chávez de enviar à Líbia uma comissão internacional para mediar a crise no país.

A informação foi confirmada à BBC Brasil por um alto funcionário do governo venezuelano. Segundo ele, em uma conversa telefônica com Khadafi na quarta-feira, Chávez disse que o objetivo da comissão seria evitar “uma guerra civil” na Líbia.

Ao receber o sinal verde de Khadafi, o governo venezuelano passou a coordenar a criação da comissão de paz – que a princípio seria formada por latino-americanos, europeus e africanos, mas poderia ter a participação de outros países.

“Estamos em contato com a liga árabe, e a proposta é que China e Rússia também estejam envolvidas”, disse a fonte.

Um representante da Liga Árabe teria dito que o grupo está avaliando a proposta e consultando os países-membros.

`Agenda de paz´

Segundo a fonte do governo, a Venezuela quer evitar uma intervenção militar estrangeira na Líbia, depois que Khadafi disse que haverá um “banho de sangue” no país, caso isso ocorra.

Leia mais na BBC Brasil sobre as declarações de Khadafi

Ao lançar a iniciativa, na terça-feira, Chávez acusou os Estados Unidos de "promoverem a guerra" na Líbia, interessados na apropriação do petróleo do país.

"Atuemos politicamente, não nos deixemos levar pelos tambores da guerra", afirmou Chávez, em Caracas.

Ele convocou a comunidade internacional a reagir para estabelecer uma "agenda de paz" para o Oriente Médio.

Mas a proposta de Chávez já enfrenta resistência.

“Qualquer mediação que permita que o coronel Khadafi suceda a ele mesmo obviamente não é bem-vinda”, afirmou o chanceler da França, Alain Juppé.

Na América Latina, ainda não houve pronunciamento oficial dos países sobre o acordo.

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