Unesco premia Avós da Praça de Maio por ações em busca da paz

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Image caption A presidente Cristina Kirchner acompanhará a premiação das Avós, em Paris

A Unesco (Organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura) anunciou, nesta quinta-feira, a entrega da edição de 2010 do prêmio Félix Houphouet-Boigny pela Busca da Paz à entidade argentina Avós da Praça de Maio.

A organização reúne as mães e as avós que tiveram filhos mortos ou desaparecidos na ditadura no país (19876-1983), além de manter buscas pelos netos nascidos em cadeias clandestinas e entregues a outras famílias durante os anos de chumbo.

“As avós foram premiadas porque a persistente busca de seus netos é um exemplo para todo o mundo e reafirma a vontade de se construir um futuro com memória, verdade e justiça”, disse o ministro argentino das Relações Exteriores, Héctor Timerman, ao comentar a premiação.

A Unesco entregará o prêmio à presidente da entidade, Estela de Carlotto, que ainda procura o neto, em uma cerimônia que deve ocorrer em maio, em Paris.

A presidente Argentina, Cristina Kirchner, deverá estar presente à cerimônia, de acordo com a imprensa local.

“Esta é a homenagem máxima que a Unesco rende a personalidades e institucionais comprometidas com a luta pela paz, pelos direitos humanos e a não discriminação”, afirmou o ex-ministro da Educação, o senador da base governista Daniel Filmus, que integra o comitê executivo da Unesco e apoiou a iniciativa.

Filmus disse ainda que, ‘graças à luta das Avós, foram incorporados novos artigos na legislação internacional”, especialmente na Declaração pelo Direitos das Crianças, que incluiu o direito à identidade como direito ‘inadiável”.

Dados genéticos

Segundo o chanceler, a criação do banco de dados genéticos, em 1987, foi decisiva para a premiação.

Por meio desse arquivo, foram localizados 102 dos cerca 500 bebês que teriam sido seqüestrados na ditadura argentina. Eles comprovaram quem eram seus verdadeiros pais por meio de exames de DNA.

A entidade é responsável pela criação de um banco de dados de DNA que permite a reconstrução da identidade das vítimas da ditadura. O modelo deste banco costuma ser apontado como exemplo por outras entidades de direitos humanos no exterior.

Em 2009, a Unesco entregou o premio ao então presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Outros líderes que receberam o mesmo reconhecimento foram o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, o rei da Espanha, Juan Carlos I, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

No ano passado, surgiram campanhas na Argentina propondo a entidade e Carlotto para o Premio Nobel da Paz. O ativista de esquerda Adolfo Perez Esquivel recebeu o Premio Nobel da Paz nos anos setenta por sua luta contra a ditadura no país, nos anos 70.

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