Egito terá referendo constitucional no próximo dia 19

Essam Sharaf caminha entre a multidão na Praça Tahrir Direito de imagem AP
Image caption No Cairo, Essam Sharaf prometeu atender às demandas da população

O governo do Egito anunciou nesta sexta-feira que um esperado referendo sobre mudanças na constituição do país será realizado no dia 19 deste mês.

Entre as mudanças que devem ser submetidas à decisão popular estão a imposição de um limite de dois mandatos presidenciais que um mesmo candidato poderá exercer e a redução da duração de cada um deles – de seis para quatro anos.

O ex-presidente Hosni Mubarak, que renunciou em 11 de fevereiro, estava no seu quinto mandato de seis anos.

Outro tópico na votação será a inclusão na Carta Magna da garantia de supervisão judicial dos pleitos no país.

O referendo abrirá caminho para eleições democráticas para o Parlamento e a Presidência, previstas para setembro.

Novo premiê

Também nesta sexta-feira, uma multidão comemorou, na Praça Tahrir, no Cairo, a posse do novo primeiro-ministro do país, Essam Sharaf.

Sharaf for designado pelo Conselho Supremo das Forças Armadas que atualmente governa o Egito após a renúncia, na quinta-feira, de Ahmed Shafik, que havia sido indicado pelo ex-presidente Hosni Mubarak.

Ao cumprimentar a multidão na Praça Tahrir, Sharaf, que chegou a participar dos protestos contra Mubarak, disse que voltou à praça para ser legitimado pelo povo.

O novo primeiro-ministro, que já foi ministro de Transportes, disse ainda que faria todo o possível para atender as demandas da população, e que agora deverá focar na reconstrução do país.

"Estou aqui por causa de vocês, e abdicarei se não for bem-sucedido", disse.

Segundo o correspondente da BBC no Cairo Alastair Leithead, Essam Sharaf pediu que a multidão desse ao governo e ao Exército o espaço necessário para reconstruir o país.

Tática

Inicialmente, a concentração na principal praça do Cairo, palco dos 18 dias de protestos que culminaram na renúncia de Mubarak foi organizada como uma manifestação contra o premiê Ahmed Shafiq.

No entanto, a manifestação se tornou uma celebração após o anúncio de que Sharaf assumiria o cargo.

Shafiq havia sido nomeado por Hosni Mubarak dias antes de ele renunciar à Presidência.

Uma das exigências dos manifestantes era que o primeiro-ministro e outros oficiais ligados ao ex-presidente deixassem os cargos.

Segundo o correspondente da BBC, a indicação de Sharaf foi uma ação tática do conselho militar para apaziguar a população.

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