Governo da Arábia Saudita proíbe protestos no país

Manifestantes xiitas exibem cartaz com rostos de pessoas detidas durante manifestação na cidade de Awwamiya, no dia 3 de março, de 2011. Direito de imagem Reuters
Image caption Governo teme onda de protestos que vêm se espalhando por países do Oriente Médio e do Norte da África

O governo da Arábia Saudita anunciou neste sábado que irá proibir a realização de quaisquer manifestações de protesto no país.

O comunidado informando a proibição foi exibido na TV estatal saudita, al-Ekhbariya, e se deu pouco após terem sido registrados nos últimos dias pequenos protestos por parte da minoria muçulmana xiita do país na província leste da Arábia Saudita.

O comunicado, que foi formulado pelo Ministério do Interior saudita, informa que as forças de segurança usarão todas as medidas para impedir quaisquer tentativas de abalar a ordem pública.

As manifestações realizadas por islâmicos xiitas nas últimas semanas tinham como principal reivindicação a libertação de prisioneiros que estariam sendo mantidos há muito tempo atrás das grades sem julgamento.

A minoria muçulmana xiita Saudita vive predominantemente no leste do país, que possui a maior parte do petróleo saudita.

Temores

A região também fica próxima ao Bahrein, que, assim como a Arábia Saudita, é uma monarquia formada por uma dinastia muçulmana sunita.

Recentemente, o Bahrein foi palco de grandes manifestações de rua que chegaram a ser reprimidas com violência pelo governo do país. Os protestos foram convocados por representantes da maioria islâmica xiita do país.

O governo da Arábia Saudita teme que a onda de protestos que foi vista não apenas no país vizinho, mas em diferentes nações árabes e do Oriente Médio desde dezembro do ano passado, possa chegar com força ao país.

A Arábia Saudita é uma monarquia absolutista que não conta com um parlamento eleito.

Na semana passada, o rei da Arábia Saudita, Abdullah, retornou à capital do país, Riad, após ter se submetido a um tratamento médico de três meses.

Ao regressar, o rei anunciou um pacote de benefícios para a população equivalente a US$ 37 bilhões (cerca de R$ 61 bilhões), que muitos interpretaram como uma forma de aplacar os ânimos de potenciais manifestantes.

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