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Costa do Marfim registra confrontos e saques em meio a impasse político

Casas de aliados de Ouattara sofreram saques

Aliados de líder da oposição tiveram suas casas saqueadas em Abidjan

Jovens na Costa do Marfim têm realizado saques em casas de aliados do líder político Alassane Ouattara, ao mesmo tempo em que rebeldes tomaram uma cidade no oeste do país.

Há cada vez mais relatos de confrontos no país, que vive um impasse político desde as eleições presidenciais de novembro passado.

Na ocasião, Ouattara foi reconhecido internacionalmente como o mais votado do pleito. Mas Laurent Gbagbo, que disputava a reeleição, se autodeclarou vencedor das eleições e desde então se recusa a deixar o poder.

A crise despertou alertas de agências humanitárias, e crescem os temores de que os distúrbios evoluam para uma guerra civil.

Testemunhas em Abidjan, a maior cidade do país, dizem que nos últimos dias jovens apoiadores de Gbagbo têm saqueado casas de pessoas ligadas ao rival político, sob vista grossa de policiais.

As autoridades saqueadas estão isoladas em um hotel junto com Ouattara, sob proteção da ONU.

Alguns dos rebeldes simpatizantes de Ouattara, armados, conseguiram capturar a cidade de Toulepleu (próxima à fronteira com a Libéria), que estava nas mãos de aliados de Gbagbo.

Cessar-fogo em risco

Os confrontos em Toulepleu são um sinal de que está em risco o cessar-fogo que sete anos atrás interrompeu a guerra civil no país, relata o correspondente da BBC John James.

Há relatos de conflitos também em Abidjan, e a ONU estima que cerca de 200 mil pessoas já tenham abandonado a região.

Na última sexta-feira, a agência de refugiados das Nações Unidas havia declarado que alguns bairros da cidade parecem “zonas de guerra”, por causa dos embates entre forças leais e contrárias a Gbagbo.

Na véspera, forças de segurança haviam matado a tiros ao menos seis mulheres que protestavam em apoio a Ouattara.

A União Africana tenta mediar a crise e convidou tanto Ouattara como Gbagbo para uma conferência na Etiópia, na próxima quinta-feira.

A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau e já foi considerada um modelo de estabilidade na África, mas em 2002 sucumbiu a conflitos armados entre norte e sul.

As eleições de 2010 – primeiro pleito em dez anos – tinham o objetivo de reunificar o país, mas até agora o esforço não tem sido bem-sucedido.

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