Tropas de Khadafi e rebeldes reivindicam o controle de cidades em disputa

Rebeldes líbios em Bin Jawat (Foto: Getty) Direito de imagem Getty Images
Image caption Domingo foi de intensos combates na Líbia, que podem se prolongar

Em um dia de intensos combates na Líbia, a TV estatal do país reportou neste domingo que as forças leais ao líder Muamar Khadafi haviam recuperado o controle das cidades orientais de Zawiya, Ras Lanuf, Misrata e Tobruk. Mas a declaração de vitória foi contestada pelos rebeldes que lutam pela deposição do regime.

Segundo um combatente rebelde de Misrata que se identifica como Mohamed, a cidade foi “covardemente atacada” pelos simpatizantes de Khadafi, o que resultou em um combate de nove horas de duração no centro do município.

“Eles foram derrotados de forma magnífica e fugiram como ratos, deixando para trás jipes e tanques”, disse Mohamed, que contabilizou 19 mortes durante o episódio – entre as vítimas estaria uma menina de dois anos. Na noite de domingo, a ONU pediu acesso à cidade, para tratar os feridos.

Correspondentes da BBC também contestam a versão oficial de que os redutos rebeldes tenham sido recuperados pelo governo e observaram que ao menos Ras Lanuf e Tobruk permanecem nas mãos dos rebeldes.

Moradores de Zawiya alegam que a cidade também continua sob controle dos opositores.

Há relatos de que as batalhas tenham chegado a Sirte, cidade natal de Khadafi e um importante bastião do líder líbio.

Leia mais na BBC Brasil: Khadafi monta ofensiva para retomar controle de áreas rebeldes

Khadafi

Ainda assim, o correspondente Jeremy Bowen relata que, em meio aos rumores, o regime parece estar mais fortalecido nos últimos dias, mas também mais isolado.

Segundo Bowen, está claro que o desfecho dos confrontos na Líbia não será semelhante ao do Egito e da Tunísia, países em que os presidentes renunciaram após forte pressão popular.

“Khadafi está se beneficiando do excepcional sistema de governo que ele introduziu na Líbia em 1977. Em tese, o sistema devolve o poder ao povo, por isso ele diz que, como não ocupa um posto oficial, não pode renunciar. E o sistema também impede que rivais em potencial montem uma base de poder”, explica o correspondente.

Neste domingo, o jornal francês Journal du Dimanche publicou entrevista com Khadafi, em que ele diz que sua saída abriria espaço para o grupo extremista Al-Qaeda.

Khadafi também se queixa de não estar recebendo apoio internacional para lutar contra o “terrorismo”.

Confronto prolongado

Nos confrontos deste domingo, as forças leais a Khadafi montaram uma forte contra-ofensiva, apoiadas por helicópteros de combate, tanques e veículos blindados. Com isso, os rebeldes tiveram de recuar, principalmente no povoado de Bin Jawad (a 50 km de Ras Lanuf).

Um médico em Misrata, situada a 200 km de Trípoli, disse à BBC que a situação havia se tornado ''muito ruim'', alegando que as forças pró-Khadafi dispararam indiscriminadamente contra civis, mesmo que eles não estivessem armados.

À medida que os combates se intensificam, existe o risco de uma guerra civil prolongada na Líbia, relata Jeremy Bowen.

Ao mesmo tempo, a ONU relata que Khadafi permitiu que uma equipe humanitária visite Trípoli. As Nações Unidas designaram o ex-chanceler jordaniano Abdelilah Al-Khatib como seu enviado especial à Líbia.

Diplomatas britânicos

Também neste domingo, um grupo de britânicos armados foi detido por rebeldes ao chegar de helicóptero na cidade de Benghazi, onde se concentra a oposição a Khadafi.

Eles só foram liberados após um suposto acordo.

O chanceler britânico, William Hague, disse que se tratava de “um pequeno grupo diplomático enviado à Líbia para iniciar contatos com a oposição. Eles viveram dificuldades que já foram resolvidas e já saíram da Líbia”.

Segundo Hague, o envio do grupo a Benghazi “é parte do trabalho mais amplo da Grã-Bretanha na Líbia, incluindo nosso trabalho humanitário”.

Notícias relacionadas