Governo toma controle do comércio do cacau na Costa do Marfim

Foto de arquivo de produção de cacau na Costa do Marfim Direito de imagem AP
Image caption País é o maior produtor mundial de cacau

O líder marfinense Laurent Gbagbo ordenou o governo a tomar o controle de todo o comércio e a exportação de cacau da Costa do Marfim, em mais um capítulo da disputa de poder no país.

Gbagbo se recusa a deixar o poder após eleições realizadas em novembro passado, em que a comunidade internacional reconheceu o rival de Gbagbo, Alassane Ouattara, como vencedor.

Gbagbo, que disputava a reeleição, se declarou vencedor do pleito.

Ouattara, que está isolado em um hotel sob proteção de tropas da ONU, havia pedido recentemente vetos internacionais temporários à compra do cacau marfinense, numa tentativa de exercer pressão sobre Gbagbo.

Em resposta, nesta segunda-feira, um decreto lido na TV estatal afirmava que a compra feita com os produtores de cacau para exportação “será controlada exclusivamente pelo Estado”.

O país é o maior produtor de cacau do mundo – responde por 40% do suprimento global do ingrediente, e sua produção está nas mãos principalmente de companhias internacionais.

Confrontos

O impasse político no país tem derivado em conflitos entre simpatizantes de Ouattara e Gbagbo, fazendo com que alguns observadores temam o retorno de uma guerra civil, após sete anos de cessar-fogo.

Há relatos de que políticos pró-Ouattara tenham tido suas casas saqueadas e de que seus aliados tenham tomado à força uma cidade no oeste do país.

Há relatos de conflitos também em Abidjan, a maior cidade do país, e a ONU estima que cerca de 200 mil pessoas já tenham abandonado a região.

Na última sexta-feira, a agência de refugiados das Nações Unidas havia declarado que alguns bairros da cidade parecem “zonas de guerra”, por causa dos embates entre forças leais e contrárias a Gbagbo.

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