Organização de países islâmicos apoia bloqueio aéreo na Líbia

Rebeldes observam ataque aéreo em Ras Lanuf Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Ataques aéreos de forças pró-Khadafi atingiram Ras Lanuf nesta terça

O secretário-geral da Conferência Islâmica, a maior organização de países muçulmanos do mundo, disse nesta terça-feira apoiar a imposição de um bloqueio aéreo na Líbia, para impedir que as tropas aliadas ao líder Muamar Khadafi sigam bombardeando seus opositores.

Líder de um órgão que abrange 57 países, Ekemeleddin Ihsanoglu ressaltou, porém, que se opõe a uma intervenção militar no país.

Nesta terça-feira, as forças pró-Khadafi lançaram novos ataques aéreos contra rebeldes na cidade petrolífera de Ras Lanuf, a leste da capital, Trípoli, considerada um alvo-chave para deter o avanço das forças rebeldes.

Um correspondente da BBC no local relatou que um avião militar lançou quatro bombas sobre a cidade e destruiu uma casa. Ainda não se sabe se os ataques fizeram vítimas.

Confiança

Em Zawiya, cidade controlada por rebeldes a oeste de Trípoli, uma testemunha disse que as forças do governo lançaram ataques durante a maior parte do dia e que 50 tanques e mais de cem caminhões entraram na cidade.

A fonte disse à BBC que a Zawiya foi “transformada em cinzas” e que crianças estão entre os mortos na ofensiva.

Com a escalada da violência, a Otan anunciou que está ampliando o monitoramento aéreo do território líbio, enviando aviões com radares para patrulhas 24h por dia.

Os ataques e a retomada na segunda-feira da cidade de Bin Jawad – que chegou a estar em poder dos rebeldes – estão elevando a confiança das tropas pró-Khadafi, relata o correspondente Wyre Davies, em Trípoli.

Países árabes do Golfo Pérsico também haviam pedido na segunda-feira que o Conselho de Segurança da ONU implemente o bloqueio aéreo, e a Grã-Bretanha confirmou estar preparando uma resolução para tentar por em prática a ideia.

Analistas apontam que o apoio árabe e islâmico por ações contra a Líbia desmonta o argumento de Khadafi de que potências colonizadoras ocidentais estariam se aliando contra a muçulmana Líbia.

No entanto, a correspondente da BBC na ONU Barbara Plett relata que há ceticismo mesmo entre defensores da medida. “Alguns diplomatas sugerem que o bloqueio seria sobretudo uma medida política para satisfazer as demandas do público por ações.”

Em outra frente, a União Europeia prepara novas sanções econômicas contra o governo líbio, que devem ser ratificadas na próxima sexta-feira, mas interpeladas por Malta.

O país mediterrâneo alega que congelamentos em negócios com a Líbia podem prejudicar o funcionamento de empresas maltesas.

Especulações sobre negociações

Na última segunda-feira, a TV Al-Jazeera noticiou uma suposta tentativa de acordo entre um enviado de Khadafi e líderes rebeldes, para estabelecer precondições para a saída do líder líbio – o que foi negado pelo governo.

Nesta terça-feira, em entrevista à BBC Árabe, Mohsen Al-Ghariani, membro da opositora Frente Nacional para a Salvação da Líbia, disse que não haverá diálogo com Khadafi até que ele renuncie.

Ghariani confirmou que Khadafi mandou um enviado para dialogar com a oposição, mas não quis comentar sobre eventuais ofertas de precondições para a suposta renúncia do líder líbio.

Já Jalal Al-Gallal, do Conselho Líbio de Transição, negou em entrevista à BBC que tenha havido contato com enviados de Khadafi e que o objetivo dos boatos é confundir a opinião pública.

Um correspondente da BBC Árabe na cidade de Benghazi, bastião da oposição, diz que parece haver um racha entre os rebeldes do Conselho Nacional Líbio, órgão também formado por opositores do regime. Alguns membros relatam que há conversas em curso com Khadafi; outros negam.

O correspondente da BBC Jon Leyne, que está em Benghazi, avalia que uma possível tentativa de diálogo por parte de Khadafi pode ter justamente a intenção de dividir a oposição.

Oficialmente, em entrevistas concedidas a diversos meios, Khadafi rejeitou a possibilidade de deixar o poder, dizendo que é amado pelo povo e que não ocupa um cargo formal – e sim o papel de líder da revolução – e que por isso não poderia renunciar.

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