Polícia reprime protestos em países árabes; seis ficam feridos no Iêmen

AP Direito de imagem ap
Image caption Manifestantes voltaram às ruas da capital do Iêmen, Sanaa

Policiais reprimiram milhares manifestantes pró-democracia no Iêmen, no Bahrein e na Arábia Saudita nesta sexta-feira, deixando pelo menos seis feridos na cidade iemenita de Aden.

As forças de segurança abriram fogo contra uma multidão que tomou as ruas da cidade exigindo a renúncia do presidente do país, Ali Abdullah Saleh, em protestos inspirados nas revoltas que antecederam a queda de presidentes no Egito e na Tunísia.

Na capital iemenita, Sanaa, as manifestações começaram depois das tradicionais orações islâmicas da sexta-feira, em frente à Universidade de Sanaa, principal palco dos protestos que começaram em fevereiro.

Além da renúncia do presidente, os manifestantes pedem mais oportunidades de emprego e o fim da corrupção no país.

Na quinta-feira, Saleh fez a proposta de adotar reformas políticas no país, incluindo a separação dos poderes de governo e a adoção de um sistema parlamentarista. A oposição, no entanto, não aceitou dialogar com o presidente.

Leia mais na BBC Brasil: Líder do Iêmen propõe adoção de regime parlamentarista

Saleh, que está no poder desde 1978, disse anteriormente que pretende deixar a Presidência a partir de 2013. Pelo menos 30 pessoas já morreram em choques entre as forças de segurança do país e os manifestantes.

Nas últimas quatro semanas, pelo menos 30 pessoas morreram nos confrontos entre as forças pró-governo e oposicionistas no Iêmen.

Bahrein

Forças policiais, reforçadas por grupos pró-governo dispararam balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes próximos ao palácio real do Bahrein na capital, Manama.

Os protestos no país são liderados pela maioria xiita, correspondentes a 70% da população, que pede mais participação política. Muçulmanos sunitas detêm o poder no Bahrein há dois séculos.

Também nesta sexta-feira, o governo do Bahrein disse que investigará as ameaças de morte postadas em redes sociais contra ativistas de defesa dos direitos humanos.

Analistas dizem que outras dinastias sunitas no Golfo Pérsico, especialmente na Arábia Saudita, temem que uma ruptura social no vizinho Bahrein leve a mais protestos pró-democracia na região, rica em petróleo.

Arábia Saudita

Na capital saudita, Riad, não ocorreram as manifestações pró-democracia convocadas pela internet. O governo deslocou um grande número de Forças de Segurança para impedir os protestos, proibidos pelo governo – que os qualificou de “anti-islâmicos”.

Nas cidades de maioria xiita de Hufof e Qatif, no leste do país, centenas de pessoas foram à ruas pedir mais direitos e a libertação de prisioneiros políticos, mas foram rapidamente dispersados por tropas de choque.

Na quinta-feira, pelo menos três pessoas ficaram feridas depois que a polícia abriu fogo contra manifestantes em Qatif.

O porta-voz do Ministério do Interior saudita, general Mansor Al-Turki, disse à BBC que a situação está sob controle e que a polícia não está usando força excessiva.

O governo da Arábia Saudita, por meio do Ministério do Interior, anunciou no último sábado a proibição de protestos no país.

Notícias relacionadas