"Alunos se sentiram tontos e móveis começaram a chacoalhar", diz professor de escola brasileira no Japão

Daniel Gimenes/Arquivo pessoal
Image caption Alunos colocam capacetes e vão para o pátio de escola em Toyota

Em Toyota, na província de Aichi, os alunos de uma escola brasileira foram obrigados a colocar capacete e ir para o pátio da escola para se proteger de possíveis consequências do forte terremoto que atingiu o país nesta sexta-feira.

"Alunos começaram a dizer que estavam tontos, mas quando os móveis começaram a chacoalhar, percebemos que era um terremoto", disse à BBC Brasil o professor Daniel Gimenes.

"Gritamos para os alunos entrarem embaixo das carteiras e colocarem o capacete. Depois, levamos todos para o pátio", contou. No momento do terremoto, cerca de 90 estudantes estavam na escola.

"Muitas crianças choraram e os pais ligaram para a escola para saber se estava tudo bem", lembrou Gimenes.

Depois de um tempo, os alunos foram levados novamente para a sala de aula. "Mas veio o segundo tremor e fomos todos para fora novamente."

O professor conta que, depois, as aulas continuaram normalmente, mas os alunos foram obrigados a permanecer com os capacetes em sala de aula.

Leia mais na BBC Brasil: Forte terremoto e tsunami atingem o Japão

Brasileiros no Japão

Cerca de 260 mil brasileiros vivem no Japão. Muitos já estão acostumados com os tremores constantes, mas desta vez o susto foi maior.

Artur Jorge Maecawa, 38 anos, mora há 19 no Japão e disse que este foi o mais forte que já sentiu até agora. "É uma sensação que não dá para explicar, mas que não é muito boa. Não tem como não sentir medo", contou à BBC Brasil.

O brasileiro, que trabalha como DJ, ouvia música no quarto quando o tremor começou. "Não chegou a cair nada, mas balançou muito."

Maecawa mora em Fujisawa, cidade litorânea da província de Kanagawa, e estava preocupado com os alertas de tsunami. "Moro a cinco minutos de carro da praia e estou direto de olho no noticiário. Como ninguém deu sinal de evacuação até agora, estou tranquilo", disse.