Governo retira 200 mil moradores de regiões próximas a usinas nucleares

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Image caption Técnico procura sinais de radiação em garoto que vive perto da usina de Fukushima

Cerca de 200 mil pessoas estão sendo retiradas das regiões próximas às duas usinas nucleares no Japão que foram danificadas pelo terremoto de sexta-feira, que devastou a costa nordeste do país.

A situação mais grave é em Fukushima Daiichi, a 250 quilômetros ao norte de Tóquio, que foi atingida por uma explosão cerca de 20 horas após o tremor.

Leia mais na BBC Brasil Explosão atinge usina nuclear japonesa danificada por terremoto

Apesar de o governo ter afirmado que não há risco de vazamento nuclear, já que o reator principal não foi danificado, autoridades estão retirando os cerca de 170 mil moradores que vivem em um raio de 20 quilômetros da usina.

Na madrugada de domingo (noite de sábado no Brasil), a usina enfrentava novos problemas, de acordo com o governo.

Um segundo reator corre risco por causa da elevada pressão em sem interior, ocorrida após uma falha no sistema de resfriamento. O problema é similar ao que causou a explosão.

Radiação

Segundo a TV japonesa NHK, três pessoas estão sob tratamento médico por terem sido expostas à radiação.

Elas foram escolhidas aleatoriamente entre 90 pessoas para serem testadas. O grupo estava esperando em uma escola, para ser resgatado por um helicóptero. Elas não apresentam sintomas de radiação, segundo fontes médicas.

Na tarde de sábado, um correspondente da BBC foi impedido por um policial de passer por uma Estrada a 60 quilômetros da usina. O policial alegou que era perigoso demais viajar por ali.

Já na usina de Fukushima Daini, cerca de 30 mil pessoas estavam sendo retiradas de um raio de 10 quilômetros da instalação.

Autoridades japoneses classificaram o acidente em Fukushima Daiichi como de nível 4, ou seja, “com consequências locais”. Na escala, que vai de 0 a 7, o desastre de Chernobyl, ocorrido na Ucrânica em 1996, foi qualificado como de nível 7.

Desaparecidos

O tremor de 8,9 de magnitude seguido por um tsunami atingiu a costa de Honshu, a cerca de 400 quilômetros a nordeste de Tóquio, na tarde de sexta-feira e ocorreu a uma profundidade de cerca de 24 quilômetros.

As equipes de resgate japonesas começaram a chegar na região mais atingida pelo terremoto na manhã do sábado e, com isso, a escala real do desastre começa a ser revelada.

O governo teme o terremoto e o tsunami tenham matado bem mais de mil pessoas. Apenas na cidade de Rikuzentakada, que ficou praticamente submersa, cerca de 400 corpos foram encontrados. Já em Minamisanriku, metade da população, cerca de 10 mil pessoas, estão desaparecidas.

Uma autoridade local da cidade de Futuba, na região de Fukushima, afirmou que mais de 90% das casas em três comunidades costeiras foram levadas pelo tsunami.

"Olhando do quarto andar da prefeitura da cidade, não vejo nenhuma casa", teria dito ele segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.

A Cruz Vermelha do Japão afirmou que o alerta de tsunami foi responsável por salvar dezenas de milhares de pessoas, que foram retiradas de áreas costeiras antes da chegada das ondas gigantes.

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