Tragédia deve atrasar em 6 meses recuperação econômica japonesa, diz banco

Homem passa por anúncio luminoso da Bolsa de Tóquio, que teve dia de queda Direito de imagem AP
Image caption Bolsa de Tóquio registrou queda no 1º dia de negociações após tragédia

A destruição causada pelo maior terremoto da história do Japão deve atrasar em seis meses a recuperação econômica do país, segundo previsão do Nomura, o principal banco de investimentos do país.

A instituição previa uma retomada de crescimento no segundo trimestre de 2011, depois da queda de 1,3% no Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2010, mas agora estima que a recuperação só deve ocorrer no final do ano.

Com a retração no PIB, o Japão perdeu o posto de segunda maior economia do mundo para a China.

Nesta segunda-feira, primeiro dia de negociação na Bolsa de Tóquio após o terremoto de sexta-feira, o índice Nikkei fechou em queda de 6,18%, o que está causando reflexos negativos nas bolsas europeias.

Com a produção interrompida, algumas das principais empresas do país se desvalorizaram na bolsa. É o caso da montadora Nissan, cujas ações caíram 9,5% após a suspensão de sua produção. Toshiba, Honda e Hitachi passam por problemas semelhantes.

Com a produção suspensa em diversas empresas, a demanda por energia caiu no Japão, o que, por sua vez, forçou a queda do preço do petróleo, que fechou cotado em cerca de US$ 99 o barril.

Alguns analistas já apontaram que a tragédia japonesa pode causar uma redução de 1% no PIB do país.

Para estimular a economia, o Banco Central do Japão anunciou no final de semana uma injeção de 15 trilhões de ienes (R$ 300 bilhões) no sistema bancário.

Além disto, segundo a agência de notícias Jiji, o Ministério da Economia disse que o país está atento à cotação do iene, em tendência de alta. O fortalecimento da moeda tende a dificultar as exportações, prejudicando ainda mais a recuperação econômica.

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Infraestrutura em alta

Em contrapartida à queda de diversas grandes empresas, o setor de infraestrutura apresentou ganhos, sob a expectativa de que terá um aumento na demanda para reconstruir as áreas destruídas pelo terremoto e pelo tsunami que se seguiu.

As ações das construtoras Kajima e Nishimatsu subiram 17,9% e 21%, respectivamente.

Apesar do dia ruim na Bolsa de Tóquio, o banco Nomura não prevê uma queda ainda maior nos preços das ações japonesas. A explicação é de que, no caso do também devastador terremoto de Kobe, em 1995, “a produção industrial (japonesa) caiu apenas no mês seguinte”.

“Em segundo lugar, o governo provavelmente proverá auxílio fiscal às regiões afetadas. Em terceiro, vemos poucos riscos de que o terremoto desencadeie um aumento expressivo no valor do iene”, afirma o banco.

O editor de Economia da BBC Bill Peston afirma que o maior risco para o Japão é provavelmente a negociação de sua dívida, que deve chegar neste ano a 228% em relação a seu PIB, segundo o FMI. O país ainda tem um forte deficit fiscal.

Devido a isso, a agência de classificação de risco Moody’s advertiu que a situação pode colocar em dúvida a capacidade do Japão de honrar suas dívidas.

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