Europa revisa medidas de segurança nuclear após alerta no Japão

Usina nuclear de Fukushima Direito de imagem BBC World Service
Image caption As explosões na usina de Fukushima detonaram alerta no Japão

Governos da Europa convocaram reuniões de emergência para rever seus projetos nucleares, após o terremoto seguido de tsunami ter causado explosões em uma usina nuclear no Japão.

Alemanha e Suíça suspenderam qualquer tomada de decisão sobre seus programas nucleares, e a Comissão Europeia realiza nesta terça-feira uma reunião de ministros e especialistas. Na Rússia, o presidente Vladimir Putin ordenou a abertura de uma investigação sobre o futuro do programa nuclear do país.

As medidas foram tomadas à luz do alerta para o risco de contaminação nuclear no Japão. O alerta foi detonado depois de uma usina nuclear na cidade de Fukushima ter sofrido três explosões em quatro dias, em decorrência do terremoto e do tsunami que atingiram o país na última semana.

A mais recente explosão ocorreu no reator de número 2 da usina de Fukushima Daiichi, 250 quilômetros a noroeste de Tóquio. Engenheiros tentavam estabilizar o reator 2, após dois outros terem explodido no local.

Milhares de pessoas teriam morrido após o terremoto de sexta-feira. Milhões de pessoas passam a quarta noite sem água, comida, eletricidade ou gás, e mais de 500 mil estão desabrigadas.

O especialista de BBC em Europa Chris Morris, em Bruxelas, diz que algumas das decisões sendo tomadas agora na Europa são políticas.

Na Alemanha, onde a chanceler Angela Merkel suspendeu um acordo para aumentar o tempo de vida de usinas nucleares do país, há eleições importantes no horizonte.

Dezenas de milhares de ativistas anti energia nuclear realizaram um protesto no fim de semana contra o plano de aumentar a vida útil dos reatores alemães. Em Stuttgart, manifestantes formaram um cordão humano de 45 quilômetros de extensão. O protesto já tinha sido planejado antes da tragédia no Japão, porque a energia nuclear é considerado um tema sensível para as eleições.

Na Suíça, o governo adiou decisões sobre a construção de novas usinas nucleares, e um ministro austríaco pediu que sejam realizados novos testes de segurança em reatores nucleares ao redor da Europa.

Medidas de segurança

A Àustria tem enorme preocupação com a segurança de usinas nucleares em países da antiga Cortina de Ferro em suas fronteiras, segundo Morris.

"Mas também há uma preocupação real, com as lições aprendidas após o terremoto japonês".

Merkel admitiu que, após o que aconteceu no Japão, não é possível voltar a "vida normal", disse ele.

"À medida que a Europa estuda como reduzir sua dependência de combustíveis fósseis, ganha força o debate no continente sobre encontrar o equilíbrio ideal entre energia nuclear e energia de fontes renováveis", afirma Morris.

"Não há dúvida de que os acontecimentos dos últimos dias ajudam pouco a indústria nuclear", acrescentou.

Na terça-feira, a Comissão Européia realiza uma reunião de ministros de Energia e especialistas em energia nuclear em Bruxelas, para tratar de questões de segurança.

A comissão afirma que a responsabilidade pela segurança da energia nuclear está em primeiro lugar com os Estados-membros. Mas com cerca de 150 reatores nucleares no continente, a comisão quer levar em conta os acontecimentos no Japão, e revisar as medidas de segurança.

O ministro de Energia do Reino Unido, Chris Huhne, disse que é preciso aprender lições e que isso deve incluir muito mais cautela em relação à localização das usinas.

"Sinceraamente, há enormes diferenças, mas temos que aprender tudo o que pudermos com a experiência japonesa, para saber se houve alguma falha humana, alguma falha de regulamentação, se há qualquer coisa que possamos aprender, porque a segurança é nossa preocupação número um", disse ele à BBC.