Bahrein impõe toque de recolher após protesto com mortes

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Image caption Pelo menos duas pessoas morreram em protestos realizados em Manama

A TV estatal do Bahrein informou nesta quarta-feira que os militares do país impuseram um toque de recolher em diversas áreas da capital, Manama, depois dos confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas ruas da cidade.

De acordo com o comunicado da emissora, o toque de recolher valerá entre as 16h e as 4h.

Forças de segurança reprimiram com violência nesta quarta-feira um protesto na Praça Pérola, no centro da capital, realizado por manifestantes que estavam acampados no local há duas semanas. Pelo menos dois ativistas morreram.

Nesta quarta, os policiais usaram contra os manifestantes bombas de gás lacrimogêneo, canhões de água, tanques e helicópteros. Há relatos de que eles também teriam disparado contra a multidão.

Na terça, confrontos entre partidários da oposição e forças policiais deixaram ao menos outras duas pessoas mortas e 200 feridos.

Os manifestantes, em sua maioria muçulmanos xiitas - vêm pedindo reformas políticas e igualdade de direitos em relação à elite política do país, formada por islâmicos sunitas.

Os monarcas sunitas do Bahrein já haviam declarado lei marcial e recorreram a cerca de mil soldados vindos da vizinha Arábia Saudita, também governada por uma monarquia sunita.

Os ativistas também protestaram contra a presença de soldados sauditas no país, que consideram uma ingerência indevida de um país estrangeiro em assuntos do Bahrein, e se reuniram em frente à embaixada da Arábia Saudita.

Ahmadinejad

As ações das forças de segurança do Bahrein foram condenadas nesta quarta-feira pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

"O fato de que eles reagem às pessoas com armas, metralhadoras, helicópteros, morteiros e tanques... isto é abominável, desumano e inaceitável", afirmou Ahmadinejad. "É óbvio que isto não vai trazer resultados."

O líder iraniano pediu ainda que os países da região não realizem intervenções militares em seus vizinhos que passam por turbulências políticas, lembrando o destino do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.

"Por que deslocar forças contra um país vizinho para enfrentar as pessoas? O destino de Saddam está à frente de todos. Por que certas pessoas insistem em repetir as experiências falhas de Saddam na região?", disse Ahmadinejad.

Zona de guerra

Um líder da oposição afirmou à BBC que pelo menos cinco pessoas morreram durante a ação policial na Praça Pérola - mas a informação não pode ser confirmada independentemente. Ele acrescentou que o local parecia uma zona de guerra.

Os manifestantes haviam montado barricadas, que não foram capazes de fazer frente aos militares. Helicópteros vêm sobrevoando a praça e vê-se uma densa camada de fumaça saindo do local.

Há relatos de que alguns manifestantes usaram coquetéis molotov contra as forças de segurança, mas a polícia agora controla as ruas que levam à praça da Pérola, que passou a ser o local símbolo do movimento de oposição.

Soldados estão cercando o hospital Salmaniya, o principal da região. Em entrevista à correspondente da BBC Caroline Hawley, um médico disse que não está sendo autorizada a entrada e a saída de ninguém no hospital, nem mesmo dos funcionários que trabalham com as ambulâncias.

De acordo com a repórter, a capital está parada e postos de controle da polícia tornam o deslocamento praticamente impossível.

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