Enfermeiro é considerado culpado de incentivar suicídios pela internet

William Melchert-Dinkel deixa o tribunal em Minnesota (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption A sentença de Melchert-Dinkel será dada no dia 4 de maio

Um enfermeiro americano foi considerado culpado da acusação de incentivar os suicídios de um britânico e de uma canadense, através de um fórum de discussões na internet.

William Melchert-Dinkel, de 48 anos, foi processado devido ao suicídio, por enforcamento, de Mark Drybrough em 2005, e pela morte de Nadia Kajouji, que se atirou em um rio em 2008.

Os promotores afirmaram que Melchert-Dinkel fingia ser uma enfermeira nos fóruns de discussão online e encorajava os suicídios.

Segundo os promotores, o enfermeiro - que vive no Estado americano de Minnesota - é obcecado por suicídios e discutiu o tema com até 20 pessoas pela internet. Melchert-Dinkel foi acusado ainda de ter entrado em pactos suicidas com dez pessoas. Pelo menos cinco delas se mataram.

Advogados do americano alegam que o britânico e a canadense já eram suicidas, e citaram leis de liberdade de expressão para defender o direito de seu cliente de manifestar suas idéias online.

O juiz Thomas Neuville, do condado de Rice em Minnesota, rejeitou os argumentos de Watkins de que as opiniões de Melchert-Dinkel estavam sob proteção da Constitução americana.

Terry Watkins, um dos advogados, admitiu que os atos do enfermeiro eram "doentios" e "repugnantes", mas afirmou que o Drybrough já estava doente há anos e que a canadense Kajouji era deprimida e "bebia muito".

A sentença de Melchert-Dinkel será determinada no dia 4 de maio. Ele poderá ser condenado a até 15 anos de prisão e a pagar uma multa de US$ 30 mil (quase R$ 50 mil).

Investigação

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Image caption Drybrough se enforcou em 2005

A investigação a respeito de Melchert-Dinkel começou em março de 2008, quando Celia Blay, de Wiltshire, na Grã-Bretanha, alertou a polícia de Minnesota de que alguém estava usando um fórum de discussões na internet para encorajar pessoas a cometer suicídio.

Depois da morte de Dybrough, a polícia da Grã-Bretanha e a dos Estados Unidos vasculharam o computador da vítima, e descobriram que ele havia buscado conselhos pela internet e que uma pessoa, depois identificada como Melchert-Dinkel, tinha dado ao britânico informações técnicas sobre como se enforcar.

Investigadores no Estado de Minnesota e no Canadá também determinaram que Melchert-Dinkel tinha entrado em um pacto suicida com Nadia Kajouji, cujo corpo foi encontrado em um rio.

O pai do britânico, Laurie Drybrough, afirmou que seu filho nunca mostrou sinais de que era suicida. "Ele era um pouco deprimido, mas nunca mostrou sinais de que era suicida. Nós nunca pensamos que ele iria cometer suicídio", disse.

"Ele (Melchert-Dinkel) é muito mau. Fez isso para seu prazer", disse Laurie Drybrough.

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