Equipes de resgate e sobreviventes enfrentam neve no Japão

Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption A neve está dificultando os trabalhos de resgate em Minamisanriku

Equipes de resgate e sobreviventes do terremoto e do tsunami no Japão enfrentam agora neve e temperaturas abaixo de zero, no momento em que suprimentos começam a chegar às áreas mais afetadas.

As principais estradas para a costa nordeste do país foram reabertas e o Exército está usando helicópteros para levar bens de primeira necessidade aos desabrigados, que estão vivendo em casas, escolas e ginásios que ficaram de pé após a tragédia.

Segundo a TV pública NHK, o número oficial de mortos chega a 4,3 mil, mas as expectativas são de que este número suba muito, já que foram encontrados muitos corpos não-identificados em regiões de litoral.

Na cidade de Otsuchi, ainda não se sabe o que aconteceu com metade da população, cerca de oito mil pessoas.

Ajuda

O Banco do Japão anunciou nesta quarta-feira que injetará mais 13,8 trilhões de ienes (cerca de R$ 285 bilhões) nos mercados financeiros para ajudar na recuperação econômica do país.

Com isso, o governo japonês aumentou para 55,6 trilhões de ienes o total dos fundos de emergência disponibilizado para proteger o sistema bancário da nação após o impacto do terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira.

O desastre mergulhou o Japão na "crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial", segundo o primeiro-ministro Naoto Kan.

Imperador

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Imperador Akihito fez seu primeiro pronunciamento depois do desastre

O imperador do Japão, Akihito, disse que está "profundamente preocupado" com a possibilidade de que piore a crise gerada pelo terremoto e o tsunami da sexta-feira, bem como do acidente nuclear que o abalo gerou.

Em uma rara aparição ao vivo na TV - sua primeira manifestação pública depois do desastre - o imperador disse que está orando pelos japoneses.

"Do fundo do meu coração, espero que as pessoas se deem as mãos e se mostrem compaixão umas com as outras para superar esses tempos difíceis", afirmou o monarca.

"O terremoto foi sem precedentes e sinto muito pelas pessoas que sofreram com esse desastre terrível. O acidente na usina nuclear me causa profunda preocupação e espero que os esforços dos funcionários possam evitar que a situação piore."

Direito de imagem AFP
Image caption Sobreviventes fazem fila na neve para comprar suprimentos em Sendai

Em tom sombrio, o soberano disse que estava rezando para que todas as vítimas da tragédia sejam salvas.

<b>Perigo nuclear</b>

Enquanto isso, os técnicos estão trabalhando para evitar uma catástrofe nuclear na usina de Daiichi, em Fukushima, onde uma falha no sistema de resfriamento dos reatores já causou três explosões e vazamento de material radioativo.

Nesta quarta-feira, um incêndio atingiu o reator número 4 da usina e o aumento nos níveis de radiação do local obrigou os trabalhadores a abandonar temporariamente a instalação.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse que os níveis de radiação voltaram a cair nas proximidades da usina e que os técnicos retomaram os trabalhos de estabilização dos reatores.

Leia também na BBC Brasil: Radiação cai e técnicos retomam trabalho em usina no Japão

Mas o container que abriga o reator pode ter sofrido dano, afirmou o porta-voz.

Também nesta manhã, uma nuvem de fumaça foi vista no reator número 3. Segundo a empresa Tokyo Electric Company, que opera a instalação, a fumaça foi liberada pela evaporação da água do reservatório onde ficam armazenados os bastões de combustível já utilizados, que estaria esquentando.

Para evitar que o combustível fique exposto e superaquecido, um helicóptero das Forças de Autodefesa do Japão (FAJ) saiu de Sendai carregando um recipiente com água, para despejar no reator.

No entanto, o plano foi cancelado depois que os níveis de radiação sobre a usina subiram para 50 milisieverts, a dose máxima a que funcionários da FAJ podem ser expostos em serviço.

Assista na BBC Brasil: Vídeo explica o acidente nuclear

Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 km da usina a deixar a área ou permanecer abrigados.

Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreu uma pequena elevação – suficiente para amedrontar os moradores, que começam a estocar mantimentos.

<b>Estrangeiros</b>

A situação de instabilidade tem levado países a elevar sua recomendação de evitar viagens para grande parte do Japão.

O governo australiano recomendou que todos os seus cidadãos que estiverem em Tóquio ou nas cidades afetadas pensem em deixar os locais. A Turquia aconselhou que ninguém viaje ao Japão.

Leia também na BBC Brasil: Para França, acidente nuclear japonês já atingiu nível seis em escala até sete.

Já o governo francês pediu à Air France dois aviões para evacuar os seus cidadãos do país a partir da quinta-feira.

A autoridade nuclear francesa diz que a catástrofe no Japão já atingiu o nível seis, em uma escala que vai até sete. O Japão classifica o incidente como nível quatro.

Notícias relacionadas