Polêmico ‘herói’ assume polícia de Ciudad Juárez

Julián Leyzaola/AP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Leyzaola combateu a corrupção policial em Tijuana

A polícia de Ciudad Juárez, a cidade mais violenta do México, está agora sob o comando de uma polêmica autoridade.

Com a missão de pacificar a cidade, Julián Leyzaola é visto como um herói por alguns, ao mesmo tempo em que é acusado de torturas e violações de direitos humanos.

Leyzaola, um tenente-coronel aposentado, foi secretário de Segurança Pública de Tijuana, e durante o seu mandato os índices de criminalidade da cidade diminuíram.

Mas organizações de defesa dos direitos humanos pedem que a Justiça investigue acusações de tortura contra detidos.

Exemplo

Em 2008, Tijuana sofreu uma onda de violência por causa de uma disputa interna no principal cartel que opera na cidade, causando a morte de mais de 600 de seus integrantes.

Ao assumir o comando da polícia local, Leyzaola despediu dezenas de agentes acusados de colaborar com traficantes de drogas.

Em poucos anos, a estratégia aplicada diminuiu o número de sequestros, homicídios violentos, roubos e extorsões.

Em outubro do ano passado, o presidente mexicano, Felipe Calderón, disse que Tijuana seria um exemplo para o resto do país e, segundo o correspondente do serviço em espanhol da BBC no México Alberto Nájar, boa parte do mérito é creditado a Leyzaola, que combateu tanto a corrupção policial como o tráfico de drogas nas ruas, os roubos e homicídios.

Problemas

Mas ocorreram muitos incidentes durante o processo. Familiares de policiais mortos em operações disseram não ter recebido apoio de superiores e alguns detidos alegaram ter sido torturados para confessar crimes.

A comissão de direitos humanos do Estado mexicano de Baja Califórnia, onde fica Tijuana, recomendou que Leyzaola fosse investigado, mas o pedido foi rejeitado.

Apesar da trajetória polêmica, muitos em Ciudad Juarez veem com esperança a nomeação de Leyzaola.

Assim como em Tijuana, dois cartéis disputam o comando da cidade em conflitos que já causaram a morte de mais de seis mil pessoas nos últimos quatro anos.

Notícias relacionadas