Presidente palestino aceita convite para ir a Gaza negociar reconciliação com o Hamas

Ismail Haniyeh (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption O líder do Hamas convidou Abbas para dialogar

O presidente palestino, Mahmood Abbas, disse nesta quarta-feira estar disposto a fazer sua primeira visita à Faixa de Gaza em quase quatro anos para tentar acabar com a cisão de seu partido, o Fatah, com o Hamas, grupo que controla o território.

"Estou pronto para ir a Gaza amanhã para acabar com a divisão", disse Abbas em discurso para a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Abbas disse que espera formar "um governo de nomes nacionais independentes que concorde com eleições parlamentares e presidenciais... dentro de seis meses ou o mais rápido possível".

Ele disse que não se canditará no próximo pleito.

Hamas

O presidente palestino não mencionou diretamente o convite feito pelo líder do Hamas, Ismail Haniyeh, no dia anterior

"Convido o presidente, meu irmão Abu Mazen (nome pelo qual Abbas também é conhecido) e o Fatah para um encontro imediato aqui na Faixa de Gaza ou em qualquer outro lugar para iniciar um amplo diálogo nacional e discutir todos as questões", disse Haniyeh.

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Image caption Milhares de palestinos pediram a reconciliação entre os grupos

O anúncio foi feito pelo líder do Hamas após grandes manifestações populares na Cisjordânia e em Gaza na terça-feira, na qual dezenas de milhares de pessoas pediram o fim da cisão entre os dois grupos.

"Vamos traduzir os apelos populares para uma realidade concreta e acabar com a divisão", afirmou.

Após as declarações de Abbas nesta quarta-feira, O alto dirigente do Hamas Sami Abu Zuhri disse que o partido "recebe bem o fato de Abas ter aceito a iniciativa de Haniya. Vamos iniciar os preparativos para a visita".

Histórico

A cisão entre os partidos se agravou em junho de 2007, quando o Hamas tomou à força o poder na Faixa de Gaza, expulsando a liderança do Fatah da região, onde moram 1,5 milhão de palestinos.

O Fatah, partido secular liderado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas, governa parcialmente a Cisjordânia (habitada por 2,5 milhões de palestinos) e defende um acordo de paz com Israel e a solução de dois Estados.

O Hamas, partido islâmico que ganhou as eleições para o Parlamento palestino em 2006, não reconhece a existência de Israel e se opõe aos acordos de Oslo, assinados entre Israel e a OLP (Organização de Libertação da Palestina).

A cisão entre os dois partidos e entre as duas unidades geográficas governadas por eles é vista como um fator que torna ainda mais difícil a solução do conflito entre Israel e os palestinos.

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