Recessão leva a abate de cavalos de corrida na Irlanda

Jóqueis na Irlanda, em cena da série da BBC Turf Wars
Image caption Prospeeridade fez com que muitos irlandeses virassem donos de cavalos

O treinador Tom Hogan observa com aprovação seus cavalos de corrida tomando suas posições na pista.

Mas na coxia é outra história. Com fileira após fileira de estábulos vazios.

Nos últimos anos, o número de cavalos que ele possuía passou de 80 para apenas 25 animais treinando em tempo integral.

Assim como muitos treinadores, ele vem tendo de arcar com um problema que assolou toda a indústria de cavalos de corrida da Irlanda.

Houve uma época em que apenas alguns poucos afortunados podiam ter um cavalo de corrida. Subitamente, isso se tornou uma possibilidade para um número muito maior de pessoas, durante o período de prosperidade na Irlanda.

Para atender a essa demanda, começaram a ser produzidos puros-sangue, a raça usada especialmente para corridas, a um nível sem precdentes. Entre 2000 e 2007, o número de potros inscritos aumentou de 8.793 para 12.633.

Mas estes cavalos são caros. Para mantê-los é preciso gastar cerca de 17 mil euros (aproximadamente R$ 39 mil) anuais.

E quando a Irlanda mergulhou em uma das mais profundas recessões que já atingiu a zona do euro, este se tornou um luxo que poucos podiam pagar.

Hogan, que é baseado em Nenagh, no Condado de Tipperary, explica: "Muitas dos cavalos pertenciam a associações de operários, carpinteiros e eletricistas - as pessoas envolvidas com o crescimento imobiliário. E eles simplesmente desapareceram do dia para a noite".

Subitamente, ele ainda tinha os cavalos, mas não o dinheiro dos antigos proprietários dos animais.

''Foi um momento muito difícil'', diz ele. Alguns desses animais tiveram que ser exportados, alguns ele manteve para si mesmo, mas outros tiveram de ser abatidos.

Ascensão

E matadouros, onde os cavalos são abatidos pela sua carne para consumo humano, tornaram-se uma indústria em ascensão.

Em 2008, havia apenas um na Irlanda, mas hoje existem cinco abatedouros.

No ano passado, 9.790 animais foram mortos neles. Destes, a BBC apurou que 4.618 eram puros-sangues.

Shane O'Dwyer, da Associação Irlandesa de Criadores de Puro Sangue (ITBA, na sigla em inglês), adimite que houve um excesso de criação de puros-sangue no auge da fase em que a Irlanda era conhecida como o Tigre Celta, mas ele acrescenta que, para muitos proprietários, abater seus animais era a coisa mais responsável a ser feita.

''Nós defendemos que quando o período dos cavalos (de corrida) chegam ao fim, quando não há utilidade para eles, deveria haver eutanástia, eutanásia voluntária em vez de deixar que os cavalos sejam cuidados por um organização de bem estar de animais'', comentou O'Dwyer.

Santuários

Mas a questão dos cavalos de corrida é apenas uma parte do problema de ''bem estar equino'' na Irlanda.

Santuários de animais estão recebendo um número cada vez maior de cavalos.

''Estamos vendo de todos os tamanhos e formatos. Desde pequenos pôneis até filhotes e cavalos de tiro'', afirma Conor Dowling, o inspetor-chefe do centro.

"Até agora, neste ano, nossos inspetores já lidaram com tantos equinos quanto no ano inteiro de 2010'', relata o inspetor-chefe.

De acordo com Dowling, a crise se deve a uma ampla irresponsabilidade por parte de diferentes membros da comunidade de propreitários.

"Nós temos um problema aqui e precisamos encontrar uma solução. Todos sabemos que o dinheiro está apertado agora, mas essa situação envolve criaturas vivas e não podemos permitir que isso continue'', diz Dowling.

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